A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta terça-feira (16), uma operação que mira um esquema do “falso boleto” contra clientes de diversas instituições financeiras. Durante a ação, quatro alvos foram presos em São Paulo por envolvimento no crime.
Conduzida pela DPRCPE/DERCC (Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos), a ação cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra o grupo, que é investigado por fraude eletrônica, falsificação de documento particular, falsa identidade e associação criminosa.
Durante a operação, foram apreendidos diversos aparelhos eletrônicos utitlizados para o golpe, sendo mais de 15 telefones celulares.
Investigações
As investigações tiveram início a partir do registro de um boletim de ocorrência que denunciou o pagamento de mais de R$ 52 mil em dois boletos falsos que teriam sido enviados por uma mulher que se identificou como funcionária de um banco via aplicativo de mensagens.
Os boletos apresentavam, de acordo com a polícia, aparência idêntica aos originais da instituição, inclusive com o CNPJ desta como suposto beneficiário final. Os valores adquiridos com o golpe, no entanto, eram direcionados a conta bancária controlada pela associação criminosa.
Segundo as apurações, o golpe, efetuado por meio de um esquema estruturado e com divisão de funções, deixou vítimas em pelo menos três estados do país.
Como funcionava o esquema
A investigação apontou que o grupo atuava sob um modus operandi dividido em quatro etapas.
- Na primeira etapa, a fase de captação, os investigados monitoravam a plataforma Reclame Aqui em busca de clientes que descreviam dificuldades para obter boletos de quitação antecipada de empréstimos.
- Em seguida, as vítimas eram abordadas via aplicativo de mensagens por números registrados em nome de terceiros, enquanto os operadores se passavam por representantes das instituições financeiras.
- Já na etapa de falsificação, boletos legítimos emitidos em nome de um dos investigados no Banco Inter eram alterados para substituir os dados do beneficiário pelos das instituições financeiras alvo.
- Por fim, os valores pagos pelas vítimas eram depositados na conta do integrante responsável pela movimentação financeira do grupo, que ficava com 10% dos recursos recebidos pela disponibilização da conta bancária.
A partir do rastreamento dos boletos pagos por uma das vítimas, foi possível identificar a conta bancária receptora dos valores. Com isso, a Polícia Civil obteve autorização judicial e realizou quebras de sigilo telefônico, telemático e informático dos suspeitos.
De acordo com a polícia, a conta de e-mail utilizada no golpe, criada no mesmo dia do crime, continha boletos fraudulentos enviados a pelo menos três vítimas já identificadas. No entanto, os investigadores indicam que o número de vítimas é superior ao apurado até o momento.
Também foram encontrados registros de novas tentativas de fraude na plataforma de gestão de cobranças vinculada à terceira investigada, com operações que chegavam a R$ 23,1 mil.
Alvos
A investigação apontou que o grupo era formado por quatro integrantes com funções bem definidas dentro do esquema criminoso. A operação prendeu os quatro alvos.
O principal suspeito, um homem de 35 anos, foi identificado como o operador central da fraude. Segundo polícia, ele tinha acesso ao sistema interno de uma das financeiras alvo por meio de um contrato de correspondente bancário, o que permitia identificar clientes com empréstimos ativos e interesse em quitar dívidas antecipadamente.
Cabia a ele monitorar reclamações publicadas na plataforma Reclame Aqui em busca de potenciais vítimas e adulterar os boletos utilizados nos golpes. O investigado possui antecedente por estelionato eletrônico com o mesmo modus operandi, registrado em outro estado em 2021.
A companheira dele, uma mulher de 28 anos, foi apontada como coautora do esquema e integrante do núcleo responsável pela execução das fraudes.
Já uma terceira investigada, de 33 anos, desempenhava papel estratégico na movimentação financeira. De acordo com as apurações, ela gerava os boletos originais que serviam de base para as falsificações e disponibilizava a conta bancária utilizada para receber os valores pagos pelas vítimas.
O quarto integrante, um homem de 30 anos, atuava como elo entre os núcleos operacional e financeiro. Ele supostamente coordenava a emissão dos boletos fraudulentos, repassava as linhas digitáveis à responsável pela conta receptora e garantia a sincronização necessária para a execução dos golpes. O suspeito possui antecedentes por furto qualificado e estelionato.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

