Os três instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira (SP), revelaram em depoimento que o grupo operava na região há aproximadamente um ano.
A jovem morreu no último sábado (13) após ser lançada da estrutura em queda livre, sem que a corda de segurança estivesse acoplada ao seu corpo.
Atuação sem regulamentação
Segundo Luis Felipe, um dos instrutores responsáveis pela operação técnica, a equipe realizava eventos frequentes no local, utilizando as redes sociais para atrair clientes.
Apesar do tempo de atuação e da estrutura comercial, os suspeitos admitiram que o grupo não possuía CNPJ ou alvará da prefeitura para explorar a atividade na Ponte do Esqueleto.
Eles alegaram à autoridade policial que o rope jump não possui federação ou regulamentação específica no Brasil.
Alto faturamento
No dia do acidente que vitimou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), o grupo organizador planejava realizar aproximadamente 100 saltos.
Com taxas fixas de R$ 180 por salto e cobrança adicional de R$ 110 por gravações com câmeras GoPro, a arrecadação bruta estimada para a data superaria os R$ 15 mil.
A atividade era promovida pela empresa Entre Cordas, que utilizava o Instagram para atrair clientes, acumulando mais de 80 mil seguidores.
Apesar do volume financeiro e da estrutura comercial, os responsáveis admitiram à Polícia Civil que o grupo não possuía CNPJ, alvará municipal ou qualquer autorização formal para operar na ponte.
Comprovantes de transações bancárias foram apreendidos, reforçando a natureza lucrativa do evento.
A dinâmica do acidente
A investigação aponta que Maria Eduarda realizaria o primeiro salto da modalidade “aviãozinho” do dia, na qual o praticante é erguido e lançado pelos instrutores.
Registros audiovisuais entregues por testemunhas confirmam que a jovem foi lançada em queda livre de uma altura de aproximadamente 30 metros, sem qualquer conexão com o sistema de cordas.
A delegada responsável pelo caso considerou que os envolvidos assumiram o risco de produzir a morte ao não adotarem cautelas indispensáveis em uma atividade de alto risco.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, fundamentada na periculosidade da conduta e na necessidade de garantir a ordem pública.
O caso segue sob investigação da Delegacia Seccional de Limeira.
“Filmou a própria morte”, diz testemunha de acidente com ‘rope jump’ em SP

