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Energia seguirá como carro-chefe de fusões e aquisições no Brasil, diz UBS

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O setor de energia deverá continuar como o principal motor do mercado de fusões e aquisições (M&As) no Brasil nos próximos anos. A avaliação é do chefe de banco de investimento do UBS BB, Anderson Brito, que destaca a relevância do segmento para investidores locais e estrangeiros e o volume de oportunidades em áreas como energia elétrica, saneamento e óleo e gás.

Segundo o executivo, o chamado segmento de “power and utilities” (que engloba energia elétrica, saneamento e óleo e gás) respondeu por aproximadamente 40% do volume total de fusões e aquisições registradas no país na última década.

“Em 2025, tivemos por volta de US$ 50 bilhões de M&As para o país. E o setor de energia, incluindo power and utilities e óleo e gás, teve 40% deste volume. Algo em torno de R$ 120 bilhões”, afirmou em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Para Brito, o protagonismo do setor é sustentado pela soma de grandes grupos internacionais já estabelecidos no país com empresas brasileiras com forte atuação. Entre os investidores globais, ele cita Iberdrola, Enel, EDF, EDP, State Grid e China Three Gorges (CTG). Do lado nacional, destaca companhias como Eneva, Áxia (antiga Eletrobras) e Equatorial.

O executivo afirma que a atividade permanece aquecida em 2026, não apenas em fusões e aquisições, mas também em operações de mercado de capitais e financiamentos.

“Quando olhamos os números de 2026 em relação aos de 2025, vemos transações relevantes, do ponto de vista de fusões e aquisições, mas também de ‘equity’ e ‘capital markets’. Há várias transações sendo precificadas e mais ainda do ponto de vista de dívida local e dívida internacional”, disse.

Na visão do banqueiro, o Brasil segue sendo um destino relevante para investidores estrangeiros, apesar de desafios ligados à volatilidade jurídica e cambial. “Para investidor internacional, o Brasil é uma geografia relevante, previsível, mas que tem alguma volatilidade, principalmente do ponto de vista jurídico e taxa de câmbio”, afirmou.

Maior atratividade

Entre os segmentos com maior potencial, Brito acredita que as hidrelétricas continuarão atraindo interesse de investidores devido à previsibilidade operacional, ao histórico consolidado da tecnologia e à presença de diversos grupos globais especializados nesse tipo de ativo.

Recentemente a EDP vendeu três hidrelétricas e a Engie aprovou a oferta de ações para adquirir parte da hidrelétrica de Jirau.

O setor de óleo e gás também permanece no radar. O executivo cita movimentos recentes, como a aquisição do controle da Brava pela Ecopetrol e a compra da operação da Raízen na Argentina pela Mercuria, como exemplos de um mercado que continua dinâmico diante do cenário global do petróleo.

Saneamento segue ativo

No saneamento, a expectativa também é de forte atividade nos próximos anos. Segundo Brito, o país possui um volume expressivo de investimentos já contratados e um ambiente favorável para novos projetos.

“Temos um nível de capex de saneamento contratado para o Brasil de aproximadamente R$ 900 bilhões para os próximos seis ou sete anos e o nível de penetração de saneamento ainda é baixo no subsegmento. Além disso, há várias privatizações vindo no pipeline e privatizações bem-sucedidas, como Sabesp e Copasa”, afirmou.

De acordo com o executivo, o segmento conta ainda com fatores que reforçam a atratividade para investidores, como a disponibilidade de financiamento, o apoio governamental e o fortalecimento do ambiente regulatório.

“Existe um apetite dos bancos para dar financiamento no subsegmento, existe apoio do governo e um ambiente regulatório mais robusto”, concluiu.

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