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Torcedores do Barcelona boicotam jogos da Espanha na Copa: “Que percam”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Torcedores do Barcelona boicotam jogos da Espanha na Copa: “Que percam”

Considerada uma das favoritas ao título da Copa do Mundo, a Espanha inicia a trajetória em busca do bicampeonato nesta segunda-feira (15), às 13h (de Brasília), contra o estreante Cabo Verde.

Contando com uma geração talentosa, tendo o jovem Lamine Yamal como principal nome, os jogos da Furia estão entre os mais aguardados desta primeira fase do Mundial.

Porém, dentro do próprio país europeu, existem torcedores do Barcelona que irão “boicotar” as partidas da seleção e torcem pela derrota do time espanhol.

A página “Barça i Ciutadania”, administrada por torcedores do Barcelona, afirmou que não vai apoiar a seleção espanhola na Copa do Mundo, mesmo com grande parte da equipe sendo formada por atletas do clube.

O motivo do “boicote” está ligado ao movimento pró-independência da Catalunha em relação à Espanha.

“A cada quatro anos, o mesmo dilema paira sobre o imaginário coletivo da massa social culé-independentista. É coerente querer que a Espanha ganhe a Copa do Mundo? É possível fazer vista grossa e apoiar a seleção espanhola sob o pretexto de que há muitos jogadores do Barça? É congruente desejar a vitória da seleção do Estado que oprime sistematicamente a nação catalã? Futebol e política podem ser dissociados?”, questiona a página.

Por que a Espanha tem que perder o Mundial?

Em postagem nas redes sociais, os torcedores do Barcelona destacam a importância do futebol, além das quatro linhas.

“O futebol não é apenas um esporte. E nunca foi. Estamos falando de um fenômeno com imenso valor político”, declarou a página, ao justificar o posicionamento contra uma possível vitória da seleção espanhola na Copa do Mundo.

Para o grupo, o entendimento do futebol como ferramenta política de pertencimento, sobretudo para os jovens, é explorado pelo governo espanhol como forma de apagar outras identidades presentes em seu território e, por isso, a Espanha não deve ser bicampeã do mundo.

Diante da atual fase vitoriosa da equipe, como o título da Eurocopa em 2024, o posicionamento reflete sobre o futebol como elemento de coesão de massas que não se baseia em identificação, mas em fazer parte de uma “conquista”.

Os torcedores do Barcelona que são pró-independência da Catalunha chamam o fato de “nacionalismo banal”. Sentimentos como entusiasmo, esperança e vitória são associados inconscientemente a “ser espanhol”, mas não têm raízes culturais verdadeiras. “Quem não gosta de cavalgar no cavalo vencedor?”, questionam.

A página “Barça i Ciutadania” defende ainda que a delegação espanhola pare de “sequestrar” jogadores com potencial para conduzir os jovens à identificação com a Catalunha.

Figuras da nova geração, como Yamal, nascido em Esplugues de Llobregat, na Catalunha, podem comunicar, transmitir e destacar a importância da identidade catalã e da defesa da língua para jovens que o têm como ídolo.

“Uma nação sem pontos de referência para os seus membros mais jovens é uma nação vazia, condenada ao nada. Que modelos as crianças catalãs têm que associam implicitamente à nossa nação?”, questionam os culéns pró-independência.

Més que un club: atletas do Barça como símbolo de afirmação

Na ausência de seleções catalãs em competições oficiais, o Barcelona é tido pelo grupo como símbolo histórico do catalanismo, capaz de mobilizar as juventudes e internalizar o sentimento de pertencimento. O clube torna-se um elemento coletivo, cuja torcida e os jogadores desempenham importante papel na luta pela independência.

Jogadores históricos já declararam apoio público ao direito do povo catalão de votar e decidir politicamente o seu futuro.

Apesar de holandês, o atacante Johan Cruyff foi uma das principais figuras do movimento, sobretudo pelo contexto de repressão em que declarava seu apoio: a ditadura do general Francisco Franco na Espanha, que durou 36 anos.

Como jogador e, posteriormente, treinador do clube, Cruyff tornou-se um ícone cultural durante o final do franquismo. Um de seus atos mais conhecidos foi batizar filho recebeu o nome catalão “Jordi”, um gesto de desafio simbólico à repressão cultural imposta pelo regime, uma vez que os registros civis da época exigiam que os nomes fossem apenas em castelhano.

O caso de Oleguer Presas, que atuou como zagueiro e lateral-direito, é um dos mais conhecidos de jogador do Barcelona que se recusou a representar a seleção espanhola por motivos políticos e identitários.

Oleguer em partida do Barcelona na Champions League
Oleguer em partida do Barcelona na Champions League • Foto: Christof Koepsel/Bongarts/Getty Images

Em protesto à convocação em 2005 pelo então técnico espanhol Luis Aragonés, os culés exibiram uma faixa no Camp Nou onde se lia “Oleguer, no hi vagis” (“Oleguer, não vá”), para que o jogador recusasse e permanecesse no clube.

Após o episódio e a recusa explícita, ele declarou que não se sentia representado pela equipe espanhola e que recusaria futuras convocações.

Faixa da torcida do Barcelona pedindo para Oleguer não defender a Espanha
Faixa da torcida do Barcelona pedindo para Oleguer não defender a Espanha • Foto: Reprodução

Pep Guardiola, que esteve por 12 temporadas no time principal do Barcelona, também teve atuação política pró-independência notória. Em 2015, o então treinador do Bayern de Munique chegou a incluir o próprio nome, de forma simbólica, em uma lista de candidatos da coalizão independentista Junts pel Sí (“Juntos pelo Sim”) para as eleições regionais catalãs.

Em 2017, o zagueiro ​​Gerard Piqué também demonstrou apoio ao referendo sobre a independência da Catalunha, que foi proibido pelas autoridades espanholas na época.

Na ocasião, Piqué registrou e publicou imagens do momento em que votou no referendo, horas antes de entrar em campo vestindo a camisa blaugrana pela LaLiga.

Mesmo com quatro atletas da Seleção Espanhola nascidos em Barcelona e representando as raízes da região, a página de torcedores irá boicotar a Furia na Copa do Mundo de 2026, reforçando a torcida de Cabo Verde na estreia desta segunda-feira (15).

“Seleção do Barcelona”

A influência do Barcelona se reflete na convocação final da Espanha para a Copa do Mundo de 2026.

Dos 26 nomes chamados pelo técnico Luis de La Fuente, oito atuam no time catalão: Joan García, Cubarsí, Eric Garcia, Pedri, Gavi, Dani Olmo, Ferran Torres e Lamine Yamal.

Vale lembrar, que pela primeira vez na história da Furia, a Espanha não contará com jogadores do Real Madrid em seu elenco.

Lista de convocados da Espanha

  • Goleiros: Unai Simón (Athletic Bilbao), David Raya (Arsenal) e Joan García (Barcelona)
  • Defensores: Cucurella (Chelsea), Grimaldo (Bayer Leverkusen), Cubarsí (Barcelona), Laporte (Athletic Bilbao), Pubill (Atlético de Madrid), Eric García (Barcelona), Marcos Llorente (Atlético de Madrid) e Pedro Porro (Tottenham);
  • Meias: Pedri (Barcelona), Fabián Ruiz (PSG), Martín Zubimendi (Arsenal), Gavi (Barcelona), Rodri (Manchester City), Álex Baena (Atlético de Madrid) e Mikel Merino (Arsenal).
  • Atacantes: Mikel Oyarzabal (Real Sociedad), Dani Olmo (Barcelona), Nico Williams (Athletic Club), Yeremy Pino (Crystal Palace), Ferran Torres (Barcelona), Borja Iglesias (Celta de Vigo), Víctor Muñoz (Osasuna) e Lamine Yamal (Barcelona).

Espanha na Copa do Mundo

A Espanha está no Grupo H da Copa do Mundo, ao lado de Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai.

Considerada uma das favoritas ao título, a Furia começa a trajetória no Mundial nesta segunda-feira (15), às 13h (de Brasília), contra Cabo Verde. Depois, o time liderado por Lamine Yamal enfrenta a Arábia Saudita, no dia 21 de junho.

No dia 26 de junho, às 21h (de Brasília), encerrando a participação na fase de grupos, a Espanha encara o Uruguai.

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