Com grandes projetos na carteira e um cronograma apertado diante das eleições, o setor de rodovias levanta uma preocupação quanto a agenda de concessões prevista para os próximos anos e cobra uma previsibilidade e continuidade nas entregas, mesmo em caso de mudanças no comando da gestão federal.
Como mostrou a CNN, o governo federal terá de realizar cerca de dois leilões rodoviários por mês para cumprir a meta de 13 certames em 2026.
Das concessões previstas inicialmente para este ano, duas foram a mercado até o momento: Rotas Gerais (MG) e Rota dos Sertões (PE/BA).
Com isso, aproximadamente 85% dos certames previstos para 2026 estão concentrados no segundo semestre.
Na última segunda-feira (8), após vencer o certame da Rota das Gerais em março, a EcoRodovias iniciou nesta segunda-feira (08) a implantação da Ecovias das Gerais, nova concessionária responsável pela concessão de trechos das BR-116 e BR-251
Já na Rota dos Sertões, o consórcio 116 Sertões, composto pela portuguesa Mota-Engil, além da Odebrecht e a Neo Invest, venceu o leilão no final de maio, e assumirá a administração por 30 anos.
Em entrevista à CNN, o diretor-presidente da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias Rodoviárias, Marco Aurélio de Barcelos, afirmou que, apesar do esforço por parte do ministério dos Transportes em manter o pipeline de projetos avançando, a preocupação maior do setor não é “apenas cumprir uma meta numérica de leilões”, mas sim “garantir que essa agenda sobreviva ao período eleitoral e continue em 2027 e nos anos seguintes”, independentemente de quem esteja no governo.
Para os próximos dez anos, a projeção da associação é de R$ 400 bilhões em investimentos.
“O setor precisa de previsibilidade e compromisso com a continuidade dos investimentos”, afirmou.
Sem certames previstos para o mês de junho, a agenda será retomada em julho com a concessão da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR).
A discussão do setor ocorre em meio a um momento de aperto orçamentário para as agências reguladoras e para os órgãos responsáveis pela estruturação e regulação das concessões.
No ínicio do mês, o ministério dos Transportes anunciou a destinação de R$ 50 milhões para recompor parte do orçamento da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), após o bloqueio de recursos promovido pelo governo federal.
À época, tanto a agência quanto o Ministério dos Transportes demonstraram preocupação com os efeitos do bloqueio orçamentário. A avaliação dos órgãos era de que a restrição de recursos poderia comprometer a preparação dos leilões previstos para o segundo semestre.
Segundo o presidente da ABCR, “é preciso reconhecer o trabalho da ANTT”, apesar dos recorrentes cortes.
Entretanto, Barcelos alertou para uma possível queda na entrega da ANTT, diante do aumento no volume de projetos e a complexidade das atividades.
“Sempre que há novos cortes, surge a mesma pergunta: até quando a agência conseguirá manter esse nível de entrega?”, ponderou.
Ainda segundo o executivo, existe uma contradição em relação ao governo, pois de um lado há uma aceleração na agenda de concessões, e de outro, a redução na capacidade operacional do regulador responsável por acompanhar esses contratos, diante dos cortes no orçamento.

