No centro das negociações de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, está a questão da liberação de pelo menos parte de US$ 120 bilhões pertencentes a Teerã que se encontram congelados em bancos de diversas partes do mundo.
Ainda há divergências sobre o que o texto do acordo vai abordar exatamente, mas a liberação desses recursos é um dos pontos mais relevantes do processo. Trata-se de dinheiro que o Irã obteve com a venda de petróleo e gás natural para diferentes países, mas que fica retido em bancos internacionais.
O editor de Internacional Diego Pavão explicou ao Live CNN desta segunda-feira (15) como funciona esse mecanismo de bloqueio, chamado de sanção secundária.
“O Irã vende gás natural ou petróleo para algum país que não seja os EUA. Esse país paga, mas ele usa bancos que usam o sistema financeiro americano. Todo banco que usa dólar em suas transações, obrigatoriamente usa esse sitema”, afirmou o jornalista.
Ao identificar um pagamento ao Irã, Washington avisa aos bancos estrangeiros que, se processarem essa transação, serão excluídos do sistema financeiro americano. “Nenhum banco quer perder acesso a esse sistema, já que as transações são feitas majoritariamente em dólar”, afirmou Pavão.
A liberação de ao menos uma parte dos US$ 120 bilhões de ativos é uma das principais exigências do Irã para o acordo provisório com os Estados Unidos, assinada por Donald Trump e JD Vance no início da tarde dessa segunda-feira.
Onde estão os recursos iranianos bloqueados
A China é a maior compradora do petróleo iraniano e continua adquirindo esse produto apesar das sanções internacionais. Para os chineses, trata-se de um negócio vantajoso, já que o petróleo sancionado é comercializado com descontos de US$ 10 a US$ 15 por barril. Há cerca de US$ 20 bilhões retidos em território chinês.
“Como Irã e China têm uma relação mais próxima, esse dinheiro acaba não indo para o Irã, porque os bancos chineses também não querem ser expulsos do sistema americano, mas há um acordo para que esse dinheiro fique de garantia para compra de produtos chineses. O Irã fica com uma linha de crédito com a China“, detalhou Pavão.
O Catar, por sua vez, não compra petróleo iraniano, mas assumiu o papel de guardar recursos que estavam em outros países, sob supervisão das autoridades americanas. O país retém cerca de US$ 12 bilhões. Já o Japão, aliado próximo dos Estados Unidos, retém aproximadamente US$ 1 bilhão.
Índia (US$ 7 bilhões) e Luxemburgo (US$ 1 bilhão) também figuram entre os países que mantêm ativos iranianos bloqueados, pelo mesmo motivo: nenhum desses países deseja contrariar os Estados Unidos ou ser excluído do sistema financeiro internacional.
Pavão destacou ainda que existe uma distinção importante entre os tipos de ativos congelados. Esses U$ 120 bilhões é considerada líquido, ou seja, caso seja desbloqueado, o dinheiro poderia retornar ao Irã em questão de horas.
Outra parte do dinheiro, no entanto, está imobilizada em formas como imóveis e fundos de investimento, ativos que estão parados há décadas e são muito mais difíceis de recuperar.
A questão interessa diretamente aos líderes reunidos na cúpula do G7, já que parte desses recursos está retida em bancos de países que integram o grupo.

