O Brasil registrou uma piora de R$ 9,3 bilhões em seu indicador de competitividade energética em 2024, interrompendo a trajetória de avanço observada nos anos anteriores. O dado consta em estudo divulgado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), segundo o qual o potencial estimado de redução dos custos da energia elétrica caiu de R$ 113,7 bilhões em 2023 para R$ 104,4 bilhões no ano seguinte.
O motivo se deve ao preço da energia livre em 2024 interromper a trajetória de queda observada desde 2021. O indicador vinha registrando evolução ano a ano, passando de R$ 1,9 bilhão em 2021 para R$ 32 bilhões em 2022, até atingir o pico de R$ 113,7 bilhões em 2023.
O levantamento compara os custos da energia elétrica no Brasil com os observados nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e busca medir o quanto a economia brasileira poderia ganhar em competitividade com um ambiente energético mais eficiente. Apesar do recuo registrado em 2024, o estudo aponta que o potencial total de redução de custos permanece em R$ 121,3 bilhões.
Apesar da piora observada em 2024, o Brasil continua apresentando uma posição muito mais favorável na comparação internacional. Segundo o MBC, a matriz elétrica brasileira, fortemente baseada em fontes renováveis como hidrelétricas, eólicas e solares, confere ao país uma vantagem competitiva frente a diversas economias da OCDE, especialmente europeias, que ainda dependem em maior medida de combustíveis fósseis, como gás natural e carvão.
Essa diferença se tornou ainda mais evidente após a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, que provocou uma disparada nos preços do gás natural na Europa e elevou significativamente os custos de energia para consumidores e indústrias da região.
À CNN, a diretora executiva do MBC, Tatiana Ribeiro, ressalta que, mesmo com o recuo registrado em 2024, o Brasil mantém vantagem competitiva em relação a boa parte dos países da OCDE graças à elevada participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica. Segundo ela, o indicador mostra que ainda existe espaço para ampliar essa vantagem por meio da redução de encargos e da expansão do mercado livre de energia.
“A migração para o mercado livre oferece custos reduzidos frente ao mercado regulado. Estratégias adicionais focam na diminuição de encargos e impostos para equalizar despesas industriais”, disse Ribeiro.
Esses ganhos, no entanto, perderam força em 2024, em meio à alta dos preços da energia livre e pela volatilidade. Dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) mostram que a migração de consumidores caiu quase 40% no início de 2026 na comparação anual.
Sobre os subsídios, os dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontam que em 2025, o consumidor pagou R$ 58,4 bilhões, o equivalente a 18% da tarifa. A executiva destaca que recentemente foi aprovada a Lei 15269, que limitou o teto da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), principal subsídio custeado pelos brasileiros de maneira compulsória via tarifa.
