Na próxima semana, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central define o novo patamar da taxa Selic, atualmente em 14,5%. Considerada a principal referência de juros do país, ela impacta diretamente empréstimos, financiamentos, investimentos e o custo de crédito para empresas e consumidores.
A grande dúvida do mercado é se haverá espaço para uma queda nos juros ou se a taxa permanecerá elevada por mais tempo diante da pressão inflacionária e conflitos globais.
As expectativas de inflação seguem em alta e já ultrapassam 5,11% para este ano, enquanto as projeções para 2027 também continuam subindo, segundo o Boletim Focus.
Para Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro e especialista em renda fixa, o cenário tem levado o mercado a revisar constantemente as expectativas para a Selic.
Além da decisão do Copom, investidores também acompanham a primeira reunião do Fed (Federal Reserve) sob a presidência de Kevin Warsh.
“Um aumento dos juros norte-americanos também pressiona os juros no Brasil, já que os títulos americanos são considerados investimentos de baixo risco. Quando eles passam a oferecer retornos maiores, o Brasil precisa manter uma remuneração mais atrativa para continuar competitivo aos olhos do investidor estrangeiro”, explica Marilia.
A apresentadora destaca ainda que o Banco Central brasileiro segue atento ao movimento de “desancoragem” das expectativas de inflação, quando o mercado passa a acreditar que a inflação ficará acima da meta por um período prolongado.
De acordo com Thiago Godoy, educador financeiro, o ambiente de juros elevados e inflação persistente reforça a busca por ativos mais conservadores e estratégias voltadas à proteção do patrimônio.
“Os títulos atrelados ao IPCA ganham força pois ajudam a proteger o poder de compra do investidor. Com a perspectiva de queda da Selic perdendo espaço, o Tesouro IPCA+ acaba se tornando uma alternativa mais atrativa do que uma aposta exclusiva em prefixados”, avalia Godoy.
Além disso, juros elevados tendem a pressionar ativos de risco, já que uma Selic mais alta aumenta a atratividade da renda fixa e reduz o apetite dos investidores por aplicações mais voláteis.
“Juros mais altos costumam prejudicar a performance de ações, fundos imobiliários, crédito privado e outros ativos de risco. É um cenário em que o investidor precisa adotar uma postura mais conservadora e seletiva”, aconselha a apresentadora.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

