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Irã diz que EUA não têm “disposição” com compromissos após ataque de Israel

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Irã diz que EUA não têm “disposição” com compromissos após ataque de Israel

O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou neste domingo (14) que o ataque de Israel aos subúrbios ao sul de Beirute demonstra que os Estados Unidos ou não têm disposição para cumprir seus compromissos, ou não possuem capacidade para fazê-lo.

Em uma publicação na plataforma X, Qalibaf declarou que será impossível continuar no caminho atual caso os compromissos assumidos não possam ser cumpridos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que um memorando seria assinado hoje — data de seu 80º aniversário. No entanto, não houve confirmação por parte de Teerã de que um texto final tenha sido acordado.

Setores conservadores do Irã estão reagindo contra alguns pontos do acordo de paz relatado entre o país e os EUA.

Um dos principais representantes da linha-dura iraniana, Mahmoud Nabavian, afirmou que, se o Irã assinar o tratado, “nos tornaremos efetivamente uma colônia dos Estados Unidos”. Segundo ele, o entendimento significaria abrir o estratégico Estreito de Ormuz “até mesmo para Israel”.

“Se quisermos realizar até mesmo a menor quantidade de enriquecimento de urânio, primeiro teríamos de obter autorização dos Estados Unidos — inclusive para fins como produzir medicamentos ou eletricidade”, acrescentou Nabavian.

Ele também afirmou que não está claro quando o Irã se beneficiaria da liberação de seus ativos congelados no exterior ou do alívio das sanções.

“Quanto mais sinais de fraqueza enviarmos, mais a guerra se aproximará de nós”, disse Nabavian em entrevista à televisão.

O texto do acordo ainda não foi divulgado oficialmente.

Diversos veículos de comunicação iranianos também alertaram contra divisões internas.

O jornal Javan, considerado próximo à IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), afirmou que alguns oradores em manifestações públicas estariam ignorando orientações do líder supremo, Mojtaba Khamenei, e “agindo para semear cisma e divisão entre a população”.

Participantes de um ato em Teerã no sábado pediram a renúncia do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo vídeos divulgados nas redes sociais.

Os manifestantes também relembraram o assassinato, no início do conflito em fevereiro, do pai de Khamenei — o então líder supremo — entoando o slogan:

“Ghalibaf, Araghchi — e o sangue do meu líder?”

Já Ali Rabiei, aliado do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, rebateu as críticas neste domingo e alertou contra a criação de “narrativas artificiais”.

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*Com informações de Aida Karimi e Tim Lister, da CNN

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