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Análise: Economia não está em bom momento para absorver atual PEC da 6×1

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Economia não está em bom momento para absorver atual PEC da 6×1

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou novo impulso em Brasília após a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados.

Para Aod Cunha, colunista do CNN Money e conselheiro de administração da Avel Investimentos, a rapidez com que o tema avança no Congresso preocupa.

“A medida como ela está, me parece… isoladamente, valendo para todos [os setores], mesmo com uma gradação no ano que vem, um ponto ruim pensando a partir da produtividade nesse momento que estamos com inflação subindo, crescimento econômico diminuindo, pressão sobre temas fiscais do governo… não parece um bom momento”, afirmou.

Segundo ele, embora seja desejável que os trabalhadores tenham mais descanso e flexibilidade, o impacto de curto prazo de uma redução dessa magnitude pode gerar diminuição de produtividade, aumento de custos e pressão salarial.

Um dos pontos de atenção citados por especialistas e que podem ser pressionados com a mudança na escala é a inflação, no caso, a de serviços, que já vem tirando o sono dos diretores do Banco Central.

O índice desse segmento já opera em níveis elevados, próximo de 6% nos últimos 12 meses, tendo apresentado aceleração de 0,40% em maio. Já o IPCA como um todo, subiu 0,58% em no período. O resultado representou a maior taxa para o mês de maio em cinco anos.

Além disso, o IPCA de maio fez com que o índice voltasse a ultrapassar o teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, mas com tolerância até 4,50%.

O cenário macroeconômico atual já traz outras dificuldades ao trabalho do BC como, por exemplo, a guerra no Oriente Médio, que elevou os custos dos combustíveis e fertilizantes, pressionando os juros. Em seu último Boletim Focus, a autoridade monetária já identificou um menor espaço para a redução da Selic este ano.

Já do ponto de vista das contas públicas, o governo também lida com o desafio da dívida. Em abril, o FMI (Fundo Monetário Internacional), em seu Monitor Fiscal, apontou que o Brasil pode chegar a uma dívida equivalente a 100% do PIB já no primeiro ano do próximo governo.

Em abril, a dívida pública bruta do Brasil como proporção do PIB chegou a 80,4%.

Contrapartidas e espaço fiscal

Cunha também alertou para os riscos de compensar o aumento de custos com redução de impostos, diante da atual situação fiscal do país.

“A gente ficaria com dois problemas: diminuição de produtividade, aumento de preço e um sistema fiscal pior ainda”, disse.

Para ele, o debate deveria se concentrar em temas estruturais, como educação e sistema tributário, que são fundamentais para aumentar a produtividade da economia brasileira, mas que permanecem sem discussão aprofundada.

Sobre a proposta alternativa apresentada na Câmara, que prevê maior flexibilidade nas relações de trabalho — incluindo contratos por hora —, Cunha avaliou positivamente a direção, mas demonstrou ceticismo quanto às chances políticas.

Ele ressaltou que setores com maior ganho de produtividade poderiam eventualmente absorver uma redução de jornada, mas que a medida do 6×1 aplicada de forma uniforme, mesmo com implementação gradual, “é um ponto realmente ruim do ponto de vista de produtividade nesse momento, onde a gente está com inflação subindo e crescimento econômico diminuindo”.

Cenário para a taxa Selic

Cunha também comentou o reposicionamento do mercado financeiro em relação às expectativas para a taxa Selic.

Segundo ele, fatores externos — como a alta do petróleo, o aumento no preço de commodities e a sinalização de bancos centrais europeu e americano de interromper os cortes de juros — combinados com a situação fiscal doméstica tornam improvável uma redução mais agressiva da taxa básica de juros no curto prazo.

“É um cenário fiscal mais um cenário externo desfavorável para uma redução mais agressiva de taxa de juros nesse momento”, avaliou.

Para seus clientes, Cunha recomendou posicionamento em renda fixa, diante da perspectiva de juros mais elevados ao longo deste ano e no início do próximo.

Ele destacou que uma eventual redução da Selic pelo Banco Central só se tornaria viável com medidas eficientes de política fiscal, especialmente no que diz respeito ao controle da previdência.

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