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Pontos principais não estão sendo tratados entre EUA e Irã, diz professor

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Pontos principais não estão sendo tratados entre EUA e Irã, diz professor

As negociações em curso entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito entre os dois países não estão abordando os pontos centrais do impasse, como a questão nuclear iraniana. A avaliação é de Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em entrevista ao Hora H.

Segundo Alexandre Coelho, caso um acordo seja firmado, ele deverá ser classificado como um entendimento tático e extremamente frágil.

“Se esse acordo sair, será um acordo muito frágil, será o que a gente pode dizer até de um acordo tático”, afirmou.

Para ele, o principal objetivo norte-americano nas negociações é simplesmente evitar a continuidade do conflito armado, sem necessariamente resolver as disputas estruturais entre os dois países.

Estratégia de escalada e desmobilização do Estreito de Ormuz

Os recentes ataques realizados pelos Estados Unidos, de acordo com Alexandre Coelho, faziam parte de uma estratégia deliberada de escalada seguida de desescalada, com o objetivo de pressionar o Irã a aceitar condições mais favoráveis a Washington.

O professor destacou que o foco central do possível acordo seria a desmobilização do Estreito de Ormuz, permitindo a passagem de petroleiros pela região — e que mesmo essa medida seria implementada de forma gradual.

“No mais, permanecemos no mesmo patamar, na mesma guerra de atrito para a qual esse conflito está caminhando”, avaliou.

Alexandre Coelho também ressaltou que, ao declarar vitória na guerra, o Irã obteve um triunfo do ponto de vista estratégico, ainda que os Estados Unidos mantenham clara superioridade militar.

“Do ponto de vista militar, não há dúvidas que os Estados Unidos domina a questão militar”, reconheceu.

No entanto, acrescentou que, do ponto de vista estratégico, os norte-americanos estão em desvantagem, em parte devido às diferenças entre os sistemas políticos dos dois países e seus impactos sobre a política externa de cada nação.

Netanyahu como variável de risco para o acordo

Outro ponto destacado por Alexandre Coelho foi o papel do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, como fator de instabilidade no contexto das negociações.

Para o professor, Netanyahu se tornou um passivo para os próprios Estados Unidos, em razão de acusações de corrupção, de um processo no Tribunal Penal Internacional e de um mandado de prisão contra ele.

“Os Estados Unidos, ou Donald Trump, me parece que se tornou refém do Netanyahu”, afirmou.

Alexandre Coelho apontou ainda que a própria base de apoio de Donald Trump já não sustenta mais Netanyahu, especialmente no que diz respeito à guerra.

Além de Netanyahu, o professor identificou o Hezbollah, no sul do Líbano, como outra variável capaz de comprometer qualquer entendimento alcançado.

“Pode colocar tudo a perder desse frágil acordo, desse frágil memorando de entendimento”, concluiu, indicando que as negociações previstas em Genebra merecem atenção nos próximos dias.

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