A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou neste sábado (13) que o BRB (Banco Regional de Brasília) deve precisar de mais 15 dias para apresentar seu balanço financeiro de 2025.
A declaração se dá dias após a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovar o projeto que autoriza o governo a contratar empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para socorrer o banco.
A previsão foi dada por Celina a jornalistas durante agenda em Ceilândia, região administrativa do DF. Quando questionada sobre a data da apresentação do balanço, a governadora respondeu: “Isso, mais uns 15 dias”.
A divulgação pelo BRB das demonstrações financeiras consolidadas de 2025 já foi adiada em mais de uma vez. Originalmente, estava prevista para o final de março e, depois, para 29 de maio. Porém, o banco postergou a data em ambas as ocasiões.
O atraso na divulgação prejudica a imagem do banco, que teve seu rating rebaixado pela S&P Global pela 2ª vez em menos de três meses.
Em entrevista à CNN Brasil, Celina havia dito que o BRB precisaria de mais alguns dias para apurar os dados financeiros após o acordo de empréstimo firmado com a União. O acordo viabiliza uma operação de crédito para o banco, em meio à crise de liquidez após a tentativa de compra do liquidado Banco Master.
O BRB precisa de um aporte de R$ 8,8 bilhões para melhorar os seus índices de saúde financeira, dos quais R$ 6,6 bilhões serão adquiridos via empréstimo junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Outros R$ 2,2 bilhões serão aportados com recursos que o GDF (Governo do Distrito Federal) obteve com a securitização da dívida ativa.
Nesta semana, Nelson de Souza, presidente do banco, disse que a instituição pretende divulgar o balanço financeiro de 2025 até 30 de junho. No entanto, ele disse, ainda era preciso solucionar pendências antes da publicação do documento.
Crise do BRB
Nos últimos meses, o BRB tem passado por uma crise envolvendo ligações com o antigo Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Preso em Brasília, o banqueiro é acusado de um esquema bilionário de fraudes dentro do mercado financeiro.
O Master é investigado por suspeita de manipulação de balanços e operações financeiras irregulares envolvendo outras instituições – dentre elas, o BRB.
Em setembro, o BRB chegou a tentar comprar o Banco Master, mas o Banco Central rejeitou a compra. A negociação se transformou em um escândalo bilionário quando se descobriu que os ativos oferecidos ao BRB eram fraudulentos, sem lastro real.
Segundo investigações da PF (Polícia Federal), há indícios de que o BRB estava ciente de que estava adquirindo “ativos podres”, sugerindo uma possível participação no esquema. Em abril deste ano, Paulo Henrique Costa, presidente do banco à época das operações com o Master, foi preso preventivamente.
