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Análise: 4 lições que o Brasil aprendeu com as últimas Copas do Mundo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: 4 lições que o Brasil aprendeu com as últimas Copas do Mundo

A Seleção Brasileira inicia a Copa do Mundo de 2026 carregando não apenas expectativas, mas também experiências das últimas campanhas frustradas no torneio. Entre eliminações, pressão sobre estrelas e dificuldades emocionais em jogos decisivos, o Brasil chega tentando transformar erros do passado em aprendizado.

Com uma geração mais madura e com um elenco que mistura nomes experientes e jovens em ascensão, a seleção comandada por Carlo Ancelotti tenta evitar os erros que derrubaram equipes brasileiras em outras Copas. A CNN Brasil separou quatro aprendizados que podem servir para o tão sonhado hexacampeonato.

Respeitar o momento

Uma das maiores lições recentes vem justamente da campeã mundial de 2022. A Seleção da Argentina começou mal a Copa do Catar, perdendo para a Arábia Saudita logo na estreia. A partir dali, o técnico Lionel Scaloni percebeu que precisaria mudar.

A Argentina campeã não foi exatamente a que começou o torneio. Scaloni alterou peças, mexeu no sistema e deu espaço para jogadores que viviam melhor momento durante a competição, como Enzo Fernandez e Julian Alvarez.

O Brasil chega em situação parecida. Alguns jogadores seguem entre os melhores do mundo em seus clubes, mas sem repetir o mesmo desempenho na seleção. Ao mesmo tempo, jovens talentos como Endrick e Rayan pedem passagem e vivem excelente fase. A grande questão para Ancelotti é justamente entender quem realmente merece espaço pelo rendimento atual.

Comemoração de Endrick, atacante do Brasil, no gol marcado contra o Egito, em Cleveland
Comemoração de Endrick, atacante do Brasil, no gol marcado contra o Egito, em Cleveland • Rafael Ribeiro/CBF

Copa não se vence apenas com estrelas

Talvez nenhum exemplo represente melhor isso do que a Copa de 2006. O Brasil chegou à Alemanha cercado por enorme expectativa, com um elenco considerado “galáctico”. Ronaldinho Gaúcho em seu auge, Ronaldo, Adriano, Kaká e companhia formavam um time repleto de estrelas.

Na prática, porém, a seleção nunca funcionou coletivamente da maneira esperada. O excesso de individualidades acabou virando símbolo daquela eliminação para a França nas quartas de final. Até hoje, a equipe é lembrada como uma das melhores seleções da história — no papel.

Jogadores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2006.
Jogadores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2006. • Antonio Scorza/AFP

As últimas Copas reforçaram essa ideia. A Argentina campeã em 2022 tinha Lionel Messi como protagonista, mas venceu principalmente por ter um coletivo extremamente competitivo e comprometido.

O Brasil tenta justamente encontrar esse equilíbrio. Nas entrevistas, Ancelotti, apesar de sempre ser questionado sobre Neymar como peça individual, é incisivo ao falar sobre a força do coletivo. “Sou otimista de natureza. Acho que estamos preparados para fazer um grande jogo amanhã e uma grande Copa do Mundo”, disse em coletiva realizada na sexta-feira (12), antes da estreia.

Controle emocional e o mata-mata

Outro aprendizado importante envolve o aspecto emocional. Em 2014, Neymar chegou como principal esperança do país aos 22 anos, carregando a pressão de protagonista e camisa 10 antes mesmo da lesão sofrida nas quartas de final.

Leia também: Emoção com jogos pode ser gatilho mortal para saúde

Thiago Silva, que já era tido como experiente e consolidado zagueiro, se isolou e foi às lágrimas antes da disputa de pênaltis nas oitavas de final contra o Chile. Thiago Silva era o capitão da seleção.

Depois, veio o 7 a 1 contra a Alemanha, partida marcada não apenas pelo colapso técnico, mas também emocional. As imagens de jogadores abatidos durante e após o jogo viraram símbolo daquela derrota. O zagueiro David Luiz e o goleiro Júlio Cesar apareceram abatidos em entrevista pós jogo.

Thomas Müller comemora gol no 7 a 1 contra o Brasil
Thomas Müller comemora gol no 7 a 1 contra o Brasil • Mike Egerton/PA Images via Getty Images

A procura por ajuda pelos atletas costuma ser maior em datas próximas a jogos decisivos e grandes campeonatos. É o que relata a neuropsicóloga e responsável técnica da unidade da Valor do Conhecimento, Márcia Yunes: “Grandes eventos costumam aumentar a procura porque tornam tudo mais intenso: expectativa, cobrança, exposição e medo de falhar”, explica ela.

Discutir o tema publicamente inclui o cuidado psicológico nas estratégias de preparação para a competição.Mente saudável está ligada a melhores desempenhos em competições esportivas.

Geração mais madura pode virar vantagem

Diferentemente de outros ciclos, o Brasil chega em 2026 com uma base muito parecida com a da Copa de 2022. Jogadores como Alisson, Marquinhos, Casemiro, Danilo e o próprio Neymar viveram juntos a última campanha.

A diferença agora é a maturidade. Muitos desses atletas encaram possivelmente a última Copa da carreira, o que pode gerar uma mobilização diferente dentro do elenco.

Neymar, às vésperas do início, Neymar revelou que será a última vez que disputará uma Copa do Mundo. 

Além disso, o maior tempo de convivência pode ajudar em algo que é fundamental: entrosamento. Em uma competição decidida nos detalhes, conhecer melhor os companheiros e já ter vivido grandes jogos juntos pode se transformar em vantagem importante para a seleção brasileira.

Veja o ranking dos elencos mais valiosos da Copa do Mundo

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