O JNE (Júri Nacional de Eleições do Peru) começou nesta quinta-feira (11) a revisar as cédulas contestadas na eleição presidencial. Enquanto isso, a apuração continua: com mais de 98% das atas contabilizadas, a conservadora Keiko Fujimori tem leve vantagem sobre o candidato da esquerda Roberto Sánchez.
Fujimori reassumiu a liderança na noite de quarta-feira, impulsionada pelos votos no exterior. Na noite desta quinta, ela aparecia com 50,003% contra 49,997% de Sánchez, de acordo com o ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru). A diferença era de pouco mais de mil votos em um universo de 18 milhões de eleitores.
A maior parte dos votos restantes corresponde a cédulas contestadas. Apenas nove das mais de 90 mil seções eleitorais ainda não tiveram seus votos apurados, enquanto cerca de 1.600 atas, que correspondem a 400 mil votos, foram encaminhadas ao JNE para análise.
A revisão deve levar semanas. A maioria das cédulas contestadas vem da região metropolitana de Lima, principal reduto eleitoral de Fujimori.
Isso ocorre porque o processo eleitoral no país é complexo, o que dificulta a proclamação do resultado, principalmente em um pleito tão disputado.
O ONPE organiza o processo eleitoral, cuidando de sessões eleitorais, cadastramento de eleitores e questões logísticas, além de ficar responsável pela contagem inicial.
Em seguida, há atas que podem ser enviadas ao JEE (Júri Eleitoral Especial), que funciona apenas no período das eleições e resolve apelações e controvérsias locais. Por fim, é necessário ainda que outro órgão valide os resultados: o Júri Nacional de Eleições.
Candidatos estão praticamente empatados em toda apuração
Os mercados se recuperaram em grande parte das perdas registradas na sexta-feira, quando Sanchez, que prometeu reformar a economia peruana fortemente dependente da mineração, ganhou força nas pesquisas. O principal índice da bolsa peruana fechou em alta de 3,94% nesta quinta-feira, enquanto o sol peruano avançou 0,56% frente ao dólar, para 3,39 por dólar.
Os dois candidatos permaneceram praticamente empatados durante toda a apuração. Fujimori liderava as pesquisas de boca de urna, e começou a apuração ligeiramente à frente. Na segunda-feira, Sánchez assumiu a liderança, impulsionado pelos votos nas áreas rurais, mas o jogo virou novamente a favor de Fujimori com a apuração dos votos no exterior.
Ambos pediram calma e paciência durante a apuração. No entanto, Sanchez endureceu o discurso na quarta e pediu uma reunião com observadores internacionais para discutir “acontecimentos estranhos, incomuns e questionáveis”.
Nesta quinta-feira, Sánchez disse ter realizado reuniões importantes com observadores da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA). “Nosso povo está vigilante. O voto e a democracia devem ser respeitados”, escreveu ao anunciar os encontros.
Além das cédulas contestadas, a equipe de Sánchez entrou com ações para anular os votos de 1.750 seções eleitorais no Peru, principalmente na região de Lima, alegando irregularidades, além dos votos de 657 seções eleitorais nos Estados Unidos, sob a alegação de que teriam sido “transportados de forma irregular”.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira à tarde, o ministro das Relações Exteriores do Peru, Carlos Pareja, afirmou que não houve irregularidades nos votos do exterior e que observadores internacionais concluíram que a eleição de domingo transcorreu sem problemas significativos.
Esta é a quarta disputa de segundo turno consecutiva de Keiko Fujimori. Ela perdeu as duas últimas eleições presidenciais por margens mínimas. Em 2021, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, figura polarizadora na política peruana, foi derrotada pelo então candidato Pedro Castillo por cerca de 45 mil votos.
Sanchez, que foi ministro no governo Castillo, é considerado seu herdeiro político nesta eleição. Durante a campanha, adotou o mesmo chapéu de vaqueiro característico de Castillo e aguardou os primeiros resultados do lado de fora da prisão onde o ex-presidente cumpre pena por rebelião e conspiração após uma tentativa de golpe.
Falando com jornalistas em frente à sua residência nesta quinta-feira, Fujimori reiterou que aguardará a divulgação do resultado final antes de fazer qualquer declaração definitiva sobre a disputa.
Fujimori, que levantou acusações de fraude na eleição de 2021, afirmou que o pleito de 2026 foi conduzido de forma transparente, com milhares de fiscais dos dois partidos e a presença de observadores internacionais.
“Acho que isso dá à eleição credibilidade, tranquilidade e a confiança dos cidadãos”, declarou Fujimori.

