A Justiça do Rio de Janeiro manteve, na última quarta-feira (10), a condenação do capitão de fragata da Marinha Cristiano da Silva Lacerda, pelos homicídios qualificados dos ex-sogros em 2022, na zona Sul da capital. Durante a sessão, a pena do oficial foi recalculada de 80 para 72 anos de reclusão.
Além da manutenção da condenação, ocorrida após a 1ª Câmara Criminal negar provimento ao recurso da defesa, também foram mantidas a perda do cargo público de capitão e a indenização mínima de R$ 200 mil por danos morais aos familiares das vítimas.
Em dezembro do ano passado, Cristiano passou por júri popular e foi condenado pelas mortes de Geraldo Pereira Coelho, de 73 anos, e Osélia da Silva Coelho, de 72, pais do ex-namorado. O crime, cometido em junho de 2022, foi motivado, segundo a denúncia, pelo incoformismo do réu com o fim do relacionamento.
De acordo com o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), a defesa de Cristiano recorreu da condenação e pediu a anulação do julgamento, alegando supostas irregularidades processuais e questionando a validade de provas e perícias produzidas durante a investigação pelo Ministério Público.
Além disso, os advogados também sustentaram que o réu não teria agido com intenção de matar por estar sob efeito de álcool e medicamentos. Os pedidos, no entanto, foram rejeitados pela Justiça.
A magistrada, por sua vez, afrimou que a denúncia atendeu aos requisitos legais e que o exame de insanidade mental concluiu que o então capitão era plenamente capaz de compreender o caráter ilícito de seus atos.
Ela destacou ainda que, durante o processo, a tese de que a embriaguez ou o uso de medicamentos teriam excluído a responsabilidade penal foi afastada.
Cristiano foi condenado a 80 anos de reclusão em regime fechado no ano passado, porém, a Justiça avaliou a necessidade de reduzir parcialmente a pena aplicada na sentença ao analisar a dosimetria. Com isso, a condenação foi recalculada para 72 anos de reclusão.
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Condenado a 80 anos
O capitão de fragata da Marinha, Cristiano da Silva Lacerda, foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 2025, a 80 anos de reclusão, em regime fechado, pelo assassinato a facadas dos ex-sogros em 2022.
O Conselho de Sentença do III Tribunal do Júri da Comarca da Capital condenou o oficial pela morte de Geraldo Pereira Coelho, de 73 anos, e Osélia da Silva Coelho, de 72, pais do ex-namorado.
Foi reconhecido pelos jurados as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Foi avaliado, ainda, o aumento de pena pelo fato de os crimes terem sido praticados contra pessoas idosas.
Ex-sogros foram esfaqueados
O crime ocorreu no apartamento onde Cristiano vivia com o ex-companheiro. Dias antes do assassinato, o ex relatou à Justiça ter sido agredido pelo ex-namorado quando manifestou o desejo de terminar o relacionamento e que Cristiano teria manifestado o desejo de sua morte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, as vítimas foram atacadas de surpresa, quando já se preparavam para dormir, o que dificultou a defesa.
O juiz responsável pelo caso reforçou que o crime ocorreu por meio cruel, devido à quantidade dos golpes de faca contra as vítimas, causando-lhes elevado sofrimento. Os crimes foram cometidos contra pessoas idosas.
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Na noite dos homicídios, Cristiano enviou uma mensagem ao ex, falando que a mãe dele estaria passando mal. Ao chegar em casa, Felipe encontrou os corpos dos pais cobertos de sangue no sofá. O oficial da Marinha foi encontrado escondido dentro de um baú, acompanhado de uma faca, comprimidos e uma garrafa de uísque.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa do réu. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

