A Copa do Mundo já soma 22 edições e 96 anos de história. Além do futebol, as peças de divulgação do evento ao longo da história procuraram destacar características culturais e políticas dos países que sediaram o evento e a importância do futebol para cada povo.
Do século XX ao XXI, os cartazes das Copas são a “porta de entrada” para a cultura de cada nação e, ao longo dos anos, contaram com contribuições de movimentos artísticos importantes e artistas de renome, como o pintor catalão Joan Miró e a fotógrafa estadunidense Annie Leibovitz.
Confira os cartazes de todas as Copas do Mundo
- Uruguai 1930
Assinado por Guillermo Laborde, o cartaz da primeira Copa do Mundo traz elementos de art déco, que estava no auge.

- Itália 1934
Acompanhando o cenário político da época, o cartaz da Copa do Mundo da Itália em 1934 foi elaborado por artista apoiador do regime fascista de Benito Mussolini. Também influenciado pelo art déco, Gino Boccasile colocou um jogador da Azzurra em posição central no cartaz.

- França 1938
O artista Henri Desmé adotou uma estética comum a cartazes de propaganda ideológica, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. A ilustração passa uma imagem do futebol como ferramenta de exibição da soberania nacional francesa.

- Brasil 1950
Após um hiato devido à guerra, a Copa do Mundo é representada no cartaz com bandeiras das nações reunidas, simbolizando uma nova ordem mundial e um novo cenário nas relações diplomáticas entre os países. A arte é uma das únicas entre as registradas pela FIFA que não possui autoria.

- Suíça 1954
O cartaz da Copa do Mundo de volta à Europa traz um jogador no centro da ilustração, retomando o futebol como tema central das peças artísticas ligadas ao evento. Assim como o cartaz anterior, este não leva o nome do artista responsável pela obra.

- Suécia 1958
O cartaz do mundial na Suécia dialoga com outras referências artísticas do período, como a silhueta de um jogador de futebol, fazendo referência ao recém-lançado “Vertigo”, de Alfred Hitchcock. O estilo se aproxima da identidade visual do artista Saul Bass e inova ao escrever “futebol” em inglês, espanhol e alemão, as línguas oficiais da FIFA.

- Chile 1962
Com estilo minimalista, o design da Copa de 1962 inova ao fazer referência ao espaço sideral. A ilustração acompanhou o cenário geopolítico da época, em que uma corrida até o espaço estava em voga. A Terra e uma bola orbitando-a, expressando a importância do futebol em escala global.

- Inglaterra 1966
A novidade do cartaz é a presença, pela primeira vez, de um mascote da Copa do Mundo. O Leão, um símbolo do Reino Unido, é o destaque do design, que optou por uma estética minimalista, com poucos elementos.

- México 1970
Quando o assunto são cartazes de Copa do Mundo, o do México é a principal referência. Com linhas concêntricas, que expressam a estética vigente nos anos 1970, a fonte tornou-se conhecida nos designs esportivos e a bola, com icosaedros, começou a ser utilizada nesta época, tornando-se símbolo do esporte.

- Alemanha Ocidental 1974
O Impressionismo foi o movimento que inspirou a estética adotada pelo alemão Horst Schafer na pintura do cartaz da Copa de 1974. Com pinceladas marcantes, o artista retratou um jogador centralizado, expressando intensidade do momento histórico.

- Argentina 1978
Sob a ditadura violenta que depôs o peronismo na Argentina, o cartaz alegre tenta mascarar o período político de tensão que vivia o país. Inspirada no pontilhismo, muito popular nos anos 1970, a agência Mandatos Internacionales, contratada pelo regime militar, assinou o cartaz em tons de azul para o mundial daquele ano.

- Espanha 1982
Um dos cartazes mais disruptivos do acervo de Copas do Mundo, o mundial na Espanha foi representado pelo artista catalão Joan Miró. Em cores vivas e traços abstratos, o artista deu ares de festa à competição, ao mesmo tempo que capturou as particularidades culturais do país.
A palavra “ESPAÑA” está grafada no topo com a caligrafia orgânica do próprio artista. No entanto, não há a presença do Naranjito, mascote da edição.

- México 1986
O cartaz do retorno da Copa do Mundo ao México ficou a cargo da renomada fotógrafa Annie Leibovitz. A silhueta de um jogador de futebol sob monumentos de arte asteca faz referência à cultura originária do país e compara o futebol a um ritual milenar mesoamericano que consistia em passar uma bola de borracha entre arcos fixados na parede.
A fonte em que se lê “Mexico86” recobra a escrita da primeira edição, com letras curvilíneas e estética futurista, ligada aos movimentos artísticos dos anos 1980.

- Itália 1990
Assim como na edição anterior, o cartaz da Copa do Mundo na Itália fez referência ao seu passado ao colocar um campo de futebol colorido no centro do Coliseu Romano. A arte compara a disputa das seleções aos grandes gladiadores. Apesar da imponência do cartaz, o evento é tido por muitos como uma das piores Copas, devido a erros técnicos e baixo número de gols marcados na competição.

- Estados Unidos 1994
Também influenciado pela estética espacial, o cartaz da Copa do Mundo nos Estados Unidos mais uma vez coloca o futebol no espaço sideral, com jogador centralizado, chutando “nas estrelas”. A pintura, com cores vibrantes e traços mais despojados, é de autoria de Peter Max, que disse em entrevistas na época que desejava representar a “universalidade do futebol”.

- França 1998
O cartaz foi escolhido por meio de um concurso, do qual a estudante Nathalie Le Gall
saiu vencedora. A artista francesa utilizou as cores da bandeira do país — vermelho, azul e branco — para expressar os valores da liberdade, igualdade e fraternidade presentes no hino do país, e, ao centro, um colorido campo de futebol.

- Coreia e Japão 2002
O cartaz teve como missão representar a primeira Copa do Mundo realizada em dois países, simultaneamente. Foram reunidos dois artistas – Byun Choo Suk, da Coreia do Sul, e Hirano Sogen, do Japão, que utilizaram traços de pincelada, fazendo referência à arte tradicional asiática. Os artistas produziram o visual em apenas dois dias.

- Alemanha 2006
A Copa, conhecida como uma das mais organizadas e com maior estrutura desde a criação do torneio, foi representada por cartaz em estilo mais moderno e digital, elaborado pela agência WE DO Communication. As estrelas fazem referência ao “sonho” do mundial, e o cartaz foi escolhido pelo próprio Franz Beckenbauer, famoso treinador alemão.

- África do Sul 2010
A primeira Copa do Mundo em país do continente africano apresenta desenho com as cores verde, vermelho e amarelo, e um rosto negro ao lado de uma bola de futebol. A universalidade das cores representa o pan-africanismo, e o design é assinado pelos artistas Gaby de Abreu e Paul Dale, que escolheram representar o povo africano como originário das mesmas culturas.

- Brasil 2014
Em um cenário politicamente dividido, o cartaz da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, mostra duas pernas disputando uma bola, compostas por elementos gráficos que representam a cultura e as características do país, como pontos turísticos e fauna e flora. A arte é de Karen Haidinger, designer brasileira, que tentou representar o futebol como um vetor de união dos brasileiros.

- Rússia 2018
Recuperando elementos vintage e estética de propaganda política, o cartaz da Copa do Mundo na Rússia, em 2018, faz referência direta às expressões artísticas soviéticas. O cartaz é composto por elementos que deixam explícita a ligação com o período histórico, como a arte construtivista e o futurismo russo, e também a representação de Lev Yashin, lendário goleiro soviético.

- Catar 2022
Com estética minimalista e elementos centralizados, o cartaz da Copa do Mundo no Catar representou o dinamismo e a modernidade do país árabe. Com caligrafia árabe e a presença do chapéu tradicional masculino usado no Catar e em outros países do Oriente Médio, chamado de Gahfiya (ou Gahfiya), a arte pretendeu representar a cultura do país e relacionar tais elementos com o futebol.

- Estados Unidos, México e Canadá 2026
A Fifa lançou no dia 3 de junho o pôster oficial da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Assinada pelos artistas Carson Ting (Canadá), Minerva GM (México) e Hank Willis Thomas (Estados Unidos), a obra celebra o ineditismo de um Mundial sediado em três países.

Fonte original
Radar Olhar Aguçado ↗
