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O Grande Debate: PGR vai bancar delação de Vorcaro rejeitada pela PF?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
O Grande Debate: PGR vai bancar delação de Vorcaro rejeitada pela PF?

O empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na quinta-feira (11), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se a “PGR vai bancar delação de Vorcaro rejeitada pela PF?”

A Polícia Federal rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde 4 de março no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras no Banco Master. A decisão foi comunicada pela corporação aos advogados de Vorcaro, e a defesa aguarda agora uma manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Segundo investigadores, a última versão apresentada era superficial e omitia informações sobre aliados políticos. Após a primeira rejeição, a equipe jurídica reformulou a proposta, mas a nova versão também foi recusada pelas mesmas razões essenciais.

PGR deve acompanhar a Polícia Federal, avaliam analistas

Para Leonardo Bortoletto, a tendência é de que a PGR siga o mesmo entendimento da Polícia Federal. “A PGR vai, acredito, acompanhar a decisão da Polícia Federal”, afirmou, acrescentando que a rejeição se justifica pelo fato de a proposta não acrescentar elementos relevantes à investigação.

Bortoletto destacou ainda que a própria delação apresentada por Vorcaro não conteria sequer uma autoincriminação, o que tornaria qualquer benefício juridicamente indefensável. “Está certo tanto a Polícia Federal quanto a PGR em não aceitar qualquer coisa”.

José Eduardo Cardozo concordou com a avaliação, lembrando um precedente histórico em que houve dissonância entre o Ministério Público e a Polícia Federal — o caso da delação de Antônio Palocci.

“O resultado foi absolutamente desastroso para a investigação criminal”, disse Cardozo, citando a divulgação antecipada da delação por Sérgio Moro e o impacto sobre o processo eleitoral, além do fato de que as informações prestadas não se corroboraram. Para ele, o caso de Vorcaro reforça a necessidade de coerência entre as instituições.

“Ele precisa apresentar fatos novos e provas novas, senão fica inútil para a investigação dar o benefício para alguém que não fala nada que favoreça a apuração”, avaliou Cardozo.

O que falta para a delação ser aceita

Os dois analistas foram enfáticos ao apontar o que seria necessário para que uma eventual nova proposta fosse aprovada. Bortoletto destacou que Vorcaro precisaria apresentar fatos que não constam nos celulares apreendidos, conversas não registradas, acordos firmados de forma sigilosa e a identificação de intermediários e outros envolvidos no esquema. “Ele tem que trazer acordos que foram firmados da calada da noite”, disse.

Cardozo complementou que a delação premiada existe justamente para beneficiar quem colabora objetivamente com o andamento das investigações. “Se você não está colaborando absolutamente nada, não está obtendo fatos relevantes, não está assumindo suas próprias culpas, por que vou dar esse benefício?”, questionou. Segundo ele, Vorcaro enfrenta uma escolha clara: apresentar uma delação consistente, com autoincriminação e fatos novos, ou enfrentar uma condenação severa, dado o volume de delitos apurados.

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