Ao WW, Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política, analisou o impacto político do material encontrado nos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
Segundo o especialista, tudo o que foi publicado a partir desses dispositivos produz efeitos imediatos no cenário político brasileiro.
Favetti destacou que o material divulgado ao público, proveniente dos celulares de Vorcaro, tem gerado respostas políticas concretas a cada nova revelação.
“O material que tem, pelo menos o que a gente já sabe, que foi publicado, nos celulares de Vorcaro, tem, sim, impacto político imediato”, afirmou o especialista.
Ele acrescentou que, todas as vezes em que algum conteúdo é divulgado, a política responde, chegando a influenciar até a popularidade de candidatos, como observado nas últimas quatro ou cinco semanas.
Centralização e papel das investigações
Ao ser questionado sobre a existência de uma instância de controle central nos fatos investigados, Favetti reconheceu que interesses cruzados são comuns em qualquer tipo de investigação.
Para ele, a aparente falta de centralização é ilusória, pois há uma figura que concentra esse papel.
O especialista apontou que essa centralização recai sobre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, responsável por duas das maiores investigações em curso no país — incluindo a do INSS —, ambas com forte impacto político.
“André Mendonça se torna, evidentemente, uma variável para as eleições, uma variável para as instituições”, disse Favetti.
Favetti também destacou o protagonismo da Polícia Federal na condução das investigações.
Segundo ele, é a PF que dita o ritmo das apurações, pois detém os peritos, os delegados e os agentes responsáveis pelo trabalho investigativo.
Ao ministro relator caberia oferecer o timing adequado e decidir sobre os pedidos formulados pela corporação.
O especialista lembrou ainda que, quando a responsabilidade pelo caso passou para André Mendonça, havia uma expectativa de que o ritmo da perícia seria mais ágil, especialmente pela possibilidade de a Polícia Federal indicar seus próprios peritos — o que, segundo ele, de fato ocorreu.

