Um novo sistema automatizado para controlar a poeira gerada nas estradas internas de minas começou a ser comercializado no Brasil pela Sotreq, revendedora oficial da Caterpillar.
Batizada de Water Delivery System 2.0, ou WDS 2.0, a tecnologia controla a aspersão de água realizada por caminhões-pipa fora de estrada. O sistema ajusta automaticamente a vazão conforme a velocidade do veículo, buscando reduzir a poeira sem provocar desperdício de água ou encharcar as vias.
A poeira é gerada em diferentes etapas da mineração, como perfuração, detonação, britagem e transporte de materiais. Nas estradas internas das minas, a circulação constante de caminhões pesados também pode suspender grandes volumes de partículas.
Além de reduzir a visibilidade e elevar o risco de acidentes, a exposição recorrente a determinadas poeiras minerais pode causar doenças respiratórias. Partículas contendo sílica cristalina, por exemplo, podem provocar silicose, doença pulmonar permanente e sem cura.
A chegada da tecnologia ocorre após o Ministério do Trabalho aprovar, em janeiro, novas regras para avaliar e controlar a exposição de trabalhadores a poeiras minerais. A regulamentação determina, entre outras medidas, o uso de água ou de técnicas equivalentes para evitar a dispersão de poeira em diferentes atividades da mineração.
Controle automatizado
O WDS 2.0 integra o caminhão, o tanque, os controles eletrônicos e o software responsável pela distribuição da água. Um dos modelos compatíveis, o Cat 777, pode transportar aproximadamente 75 mil litros.
Diferentemente dos sistemas convencionais que mantêm uma vazão constante, a tecnologia aumenta ou reduz automaticamente a quantidade de água espalhada conforme a velocidade do veículo.
Segundo a Sotreq, a nova versão apresenta aumento de 25% na capacidade máxima de distribuição de água e consegue manter uma aplicação precisa com o caminhão circulando a até 45 quilômetros por hora.
Ao controlar melhor a aspersão, o sistema busca evitar tanto a aplicação insuficiente, que não consegue conter a poeira, quanto o excesso de água, que pode reduzir a aderência dos veículos, danificar as estradas e aumentar o consumo do recurso.
“Se o caminhão consome menos água durante a operação, ele precisa voltar menos vezes para reabastecer. Isso aumenta a produtividade e reduz movimentações desnecessárias dentro da mina”, afirmou Cleiton Arruda, gerente comercial da Sotreq.
Monitoramento digital
O sistema também pode ser integrado ao MineStar, plataforma da Caterpillar utilizada para gerenciar frotas de mineração.
A ferramenta permite acompanhar onde e quando cada caminhão realizou a aspersão, o volume de água distribuído e o histórico de cobertura das vias. Com essas informações, a central de controle pode reorganizar rotas e evitar que diferentes veículos molhem repetidamente os mesmos trechos enquanto outras áreas permanecem sem atendimento.
A tecnologia utiliza sensores, softwares e comandos automatizados, mas o material divulgado pela Sotreq não informa o emprego de inteligência artificial.
O WDS 2.0 também foi desenvolvido para ser integrado a operações autônomas. Isso, porém, não significa que todos os caminhões equipados com o sistema possam funcionar sem motorista. A operação totalmente autônoma depende do modelo do veículo e da infraestrutura tecnológica instalada na mina.
A comercialização será acompanhada de suporte técnico e da manutenção de estoques de componentes no país.
