A PF (Polícia Federal) rejeitou, na quinta-feira (11), a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, o ex-banqueiro não trouxe elementos novos nem provas suficientes para avançar além do que já havia sido coletado com base em documentos e dados extraídos do próprio celular de Vorcaro.
A decisão representa mais um revés para a defesa de Vorcaro, que chegou a renovar parte de sua equipe de advogados entre a primeira e a segunda tentativas de colaboração. Apesar dos acréscimos feitos à proposta inicial, a mudança não foi suficiente para convencer a Polícia Federal.
Com as portas fechadas na PF, as atenções da defesa se voltam agora para a possibilidade de firmar algum tipo de acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Divergência entre a defesa e a Polícia Federal
No entorno de Vorcaro, a percepção é de que a Polícia Federal nunca teve interesse real em fechar um acordo de colaboração premiada. Segundo relatos colhidos pela CNN, a defesa afirma que a proposta continha fatos inéditos, confissões do próprio Vorcaro e informações que apontariam o caminho do crime para outras autoridades.
“Tem muita coisa e a polícia nunca quis fazer”, foi a afirmação ouvida de interlocutores ligados ao ex-banqueiro. A PF, por sua vez, sustenta que as informações apresentadas não acrescentaram substância ao que os investigadores já detinham.
Um dos pontos avaliados pelos investigadores foi a capacidade de Vorcaro em ressarcir os prejuízos causados, especialmente ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e ao BRB. A avaliação é de que esses valores poderiam chegar a R$ 60 bilhões.
PGR como última esperança e data-chave
A possibilidade de um acordo com a PGR ainda não está descartada e representa, segundo os analistas, a principal esperança de Vorcaro para reduzir o tempo que passará preso.
O posicionamento da Procuradoria é considerado decisivo, pois cabe a ela definir o formato da denúncia contra o ex-banqueiro e o tamanho do pedido de condenação.
O prazo para que Vorcaro permaneça na superintendência da PF, com acesso facilitado a seus advogados, se esgota nesta sexta-feira (12), tornando essa uma data-chave para o desdobramento do caso.
A âncora da CNN Thais Herédia destacou que o caso não envolve apenas Vorcaro. A delação de Paulo Henrique Costa, ligado ao BRB, também é acompanhada de perto. Segundo avaliação de um operador político em Brasília, o ex-presidente do BRB poderia revelar informações sobre Vorcaro que o próprio ex-banqueiro ainda não entregou às autoridades, potencialmente comprometendo-o ainda mais.
Cenários políticos e tensão em Brasília
O sócio da Fatto Inteligência Política Rafael Favetti elencou três cenários políticos possíveis a partir dos desdobramentos do caso. O primeiro seria o cenário-base, no qual as eleições ocorreriam mais ou menos como estão hoje, com os impactos já conhecidos já cristalizados.
O segundo envolveria o caso atingindo mais fortemente figuras da oposição. O terceiro cenário seria o de o caso comprometer alguém muito próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que exigiria uma resposta do governo e de sua campanha.
Favetti ressaltou que Brasília vive uma tensão constante em torno da possível homologação de uma delação, pois supõe-se que, a partir desse momento, nomes e provas seriam tornados públicos. “Todas as vezes que sai alguma coisa do celular de Vorcaro, a política responde, até em popularidade de candidatos”, afirmou.
O analista de Política da CNN Caio Junqueira, por sua vez, observou que, ao contrário do que ocorreu no caso do tenente-coronel da reserva Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), no qual diversas instâncias se empenharam para viabilizar a colaboração premiada, no caso Vorcaro parece haver um movimento contrário, com o sistema judicial e político atuando para que o acordo não se concretize.

