Os organizadores de Wimbledon anunciaram uma premiação recorde de 64,2 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 442 milhões), para a edição deste ano do torneio, embora o aumento possa não ser suficiente para satisfazer os principais jogadores, que vêm exigindo uma fatia maior das receitas geradas pelos torneios do Grand Slam.
O valor total da premiação representa um aumento de 20% em relação ao ano passado, com os campeões das chaves de simples recebendo 3,6 milhões de libras esterlinas, cerca de 24,8 milhões de reais, acima dos 3 milhões de libras esterlinas (R$ 20,7 milhões), pagos em 2025.
Trata-se do maior aumento anual da história de Wimbledon, mas ele ocorre em um momento de crescente pressão dos atletas, que argumentam que os quatro torneios do Grand Slam distribuem aos jogadores uma parcela menor de suas receitas totais do que outros eventos dos circuitos ATP e WTA.
Alguns jogadores limitaram suas aparições à imprensa durante o recente Roland Garros e chegaram a ameaçar um futuro boicote.
A presidente de Wimbledon, Debbie Jevans, afirmou que discutiu a questão da premiação com Larry Scott, representante de vários dos principais jogadores nas negociações por melhores pagamentos, durante o Aberto da França.
Os atletas pediam uma premiação total em Wimbledon de cerca de 70 milhões de libras esterlinas (R$ 483 milhões), o que aproximaria a proporção destinada aos jogadores dos 22% distribuídos pelos principais torneios da ATP e da WTA.
Nos Grand Slams, esse percentual é estimado em cerca de 15%.
“Tivemos diálogo, trocamos e-mails e nos reunimos com Scott em Paris. E, após a reunião em Paris, todos viram o que foi divulgado pela imprensa: 71 milhões. Acredito que fizemos o que era certo e apropriado, então espero que os jogadores recebam isso de forma positiva. É uma quantia significativa de dinheiro”, disse Jevans a jornalistas durante a entrevista coletiva pré-torneio realizada nesta quinta-feira (11).
Jevans ressaltou que Wimbledon destina 90% de seu superávit ao desenvolvimento do tênis britânico. No ano passado, o All England Lawn Tennis and Croquet Club repassou à Lawn Tennis Association 48,1 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 332 milhões).
“Usar a receita para determinar a premiação não faz sentido e já dissemos isso a Larry Scott”, afirmou. “A receita não leva em conta os investimentos que fazemos. Somos uma organização sem fins lucrativos e muito diferentes de um Masters 1000. Por isso, fico frustrada que essa mensagem não tenha sido compreendida”.
Poder dos jogadores
O US Open do ano passado distribuiu 90 milhões de dólares em premiação, enquanto o Aberto da Austrália deste ano ofereceu um total de 111,5 milhões de dólares australianos (R$ 256 milhões). Já a premiação total de Roland Garros foi de aproximadamente 71 milhões de dólares (R$ 366 milhões).
Os jogadores também apontaram questões como aposentadoria, expansão dos torneios, calendário e partidas encerradas tarde da noite entre os fatores que alimentam a insatisfação, além do que vários deles classificaram como uma persistente falta de diálogo por parte dos organizadores.
A premiação de Wimbledon aumentou significativamente em todas as fases do torneio neste ano. Os tenistas eliminados na primeira rodada da chave de simples receberão 80 mil libras esterlinas, cerca de 552 mil reais, contra 66 mil libras esterlinas (aproximadamente R$ 456 mil), pagos em 2025.
Wimbledon também anunciou que a premiação total do qualifying aumentará 25%, chegando a 6,2 milhões de libras esterlinas (R$ 42,8 milhões).
“A premiação do nosso qualifying feminino equivale à oferecida por alguns torneios WTA 1000, o nível mais alto do circuito feminino”, afirmou Jevans.
A edição deste ano contará ainda com diversas melhorias nas instalações destinadas aos jogadores no reformulado Millennium Building, incluindo uma área de desempenho ampliada com academia maior, espaços médicos e de fisioterapia aprimorados, uma nova área de recuperação física e um bar de nutrição.
Os torcedores também terão acesso a mais áreas de sombra, embora não sejam exibidas partidas da Copa do Mundo de futebol em telões no complexo.
“Acho que todos podemos aproveitar a Copa do Mundo, mas aqui estamos totalmente focados no tênis”, disse a diretora-executiva Sally Bolton, que deixará o cargo após esta edição.
Dentro das quadras, será introduzido neste ano um sistema de revisão por vídeo nas seis principais arenas do torneio, permitindo aos jogadores solicitar revisões ilimitadas de determinadas decisões do árbitro de cadeira, como quique duplo, golpe irregular ou toque na rede.
Indicadores visuais das marcações eletrônicas de linha em tempo real também passarão a ser exibidos nos placares.

