A discussão sobre o fim da escala 6×1 tem avançado sob forte pressão popular e mobilização nas redes sociais, mas representantes do setor produtivo avaliam que o tema carece de um debate mais aprofundado sobre seus impactos econômicos e sociais.
A percepção é de que a proposta tem sido conduzida de forma acelerada, sem o tempo necessário para discutir seus efeitos sobre o mercado de trabalho e a produtividade.
Durante o Hora H, o analista de Política da CNN Brasil, Pedro Venceslau, o governo tem intensificado a defesa da proposta nas redes sociais na tentativa de ampliar a pressão sobre o Senado. A estratégia, porém, não tem sensibilizado o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que mantém a tramitação da matéria sem calendário definido.
De acordo com relatos de senadores próximos a Alcolumbre, o presidente do Senado estaria incomodado com o que considera uma articulação entre governo, PT e movimentos sociais para influenciar parlamentares por meio das redes sociais e de manifestações públicas.
A avaliação do analista é que quanto maior a pressão, maior tende a ser a resistência da presidência do Senado em acelerar a tramitação da proposta.
Nos bastidores, o avanço da PEC também tem provocado movimentações entre parlamentares. A chamada “PEC das horas trabalhadas”, apresentada pelo senador Rogério Marinho como alternativa ao texto que extingue a escala 6×1, chegou a reunir o apoio de 40 dos 81 senadores e avançou rapidamente para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Entretanto, com o aumento da pressão popular, alguns parlamentares passaram a rever suas posições.
Entre os casos citados por Venceslau estão os senadores Cleitinho e Romário, que retiraram apoio à proposta de Marinho diante da repercussão do tema junto às suas bases eleitorais.
O sentimento predominante no Senado, segundo o analista, é que diversos parlamentares demonstram desconforto com o risco de serem associados a uma posição contrária à ampliação do descanso dos trabalhadores.
A alternativa defendida por Marinho também passou a contar com apoio da indústria. Conforme relatado por Venceslau, a proposta se tornou uma bandeira da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que vê no texto uma forma de fazer frente à PEC do fim da escala 6×1.
Apesar das divergências políticas, a principal preocupação manifestada por representantes empresariais é a falta de tempo para uma discussão mais abrangente. A avaliação é que experiências internacionais de redução de jornada foram implementadas em economias com níveis mais elevados de infraestrutura, qualificação profissional e produtividade.
No Brasil, argumentam, persistem desafios como informalidade elevada, baixa produtividade, renda média reduzida e dificuldades de mobilidade urbana.
Nesse contexto, empresários defendem que a redução da jornada é uma tendência de longo prazo, mas alertam para a necessidade de uma transição gradual e de um debate mais racional sobre as condições necessárias para sua implementação.
A preocupação é evitar que mudanças estruturais no mercado de trabalho ocorram sem a adaptação prévia das empresas e da própria economia brasileira.
Mercado de trabalho tem disputa entre quiet quitting e quiet hiring

