Às vésperas da estreia dos Estados Unidos na Copa do Mundo, o técnico Mauricio Pochettino fez uma reflexão sobre os desafios de transformar o país em uma potência do futebol. Em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”, o argentino afirmou que a evolução da modalidade no país passa por uma mudança cultural e alertou que tradição ainda faz diferença quando a bola começa a rolar.
Para o comandante da seleção americana, existe uma percepção equivocada de que o peso econômico e esportivo dos Estados Unidos automaticamente o coloca entre os favoritos em qualquer modalidade. No futebol, porém, a realidade é diferente.
“Há uma confusão que diz: ‘Sou os Estados Unidos da América. Sou o número 1, o maior e melhor país do mundo’. No basquete, no hóquei ou no beisebol isso pode funcionar. No futebol, você compete contra mais de cem anos de história de países como Argentina, Brasil, Inglaterra e Espanha”, afirmou.
Pochettino assumiu a equipe após uma trajetória construída em clubes de elite do futebol europeu, incluindo passagens por Tottenham, Paris Saint-Germain e Chelsea. Segundo ele, o convite para dirigir os Estados Unidos representou a oportunidade de participar de um projeto diferente, especialmente por se tratar de uma das seleções anfitriãs do Mundial.
“Depois do Chelsea, pensamos que uma Copa do Mundo era algo que ainda faltava na nossa trajetória. E então surgiu a oportunidade dos Estados Unidos, que é uma seleção anfitriã. Era o momento de sair da zona de conforto”, explicou.
O treinador também destacou que o crescimento do futebol nos EUA depende de uma conexão mais profunda entre o esporte e a sociedade. Para ilustrar a diferença cultural, comparou a relação dos argentinos com a bola desde a infância.
“O primeiro presente que uma criança recebe na Argentina é uma bola de futebol. Nos Estados Unidos, normalmente é um taco de beisebol, uma bola de basquete ou uma bola de futebol americano. Essa relação emocional com o futebol leva tempo para ser construída.”
Apesar dos desafios, Pochettino reconheceu os avanços recentes do esporte no país e apontou a chegada de Lionel Messi à MLS como um dos fatores que aceleraram esse processo de desenvolvimento.
“A MLS está crescendo. Messi teve um impacto enorme. Um jogador da liga agora pode dizer que atua contra um campeão mundial e um dos maiores jogadores da história. Isso gera confiança e acelera o desenvolvimento do futebol no país.”
Os Estados Unidos iniciam sua caminhada na Copa do Mundo nesta sexta-feira (12), às 22h (de Brasília), diante do Paraguai, em Los Angeles. A equipe ainda terá pela frente Austrália e Turquia na disputa por vaga na fase eliminatória.

