Uma ala do Senado Federal estuda formas de compensar as empresas caso seja aprovada a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1. A informação foi apurada pela analista de Política da CNN, Larissa Rodrigues, com base em conversas com fontes e parlamentares no Congresso Nacional.
Segundo a analista, alguns senadores transmitiram esse recado a representantes do empresariado brasileiro em reuniões realizadas na véspera. A sinalização é de que a tramitação da proposta no Senado deverá seguir um caminho diferente do observado na Câmara dos Deputados, onde o texto já foi aprovado.
Entre as alternativas em discussão estão a desoneração da folha de pagamento, a redução de impostos voltada principalmente para pequenos e médios empresários e a ampliação do prazo para implementação da nova jornada de trabalho.
“Ainda há vários caminhos sendo discutidos”, afirmou Larissa Rodrigues, destacando que as negociações seguem em estágio inicial.
A movimentação ocorre após meses de pressão de diferentes setores da economia. Durante a tramitação da proposta na Câmara, representantes da indústria e do comércio buscaram interlocução com parlamentares, incluindo reuniões com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Mais recentemente, integrantes do setor industrial também se reuniram com senadores de centro e centro-direita.
De acordo com fontes ouvidas pela analista, esses parlamentares avaliam que a proposta tende a avançar no Senado diante da pressão popular, especialmente em um contexto de ano eleitoral.
Ainda assim, a Casa deve concentrar esforços para incluir mecanismos de compensação às empresas, tema que teve menor destaque durante a análise do texto pelos deputados.
Nos bastidores, há expectativa de que Alcolumbre encaminhe a proposta para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) nos próximos dias. O nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco também é cotado para relatar a matéria.
Segundo fontes da oposição, especialmente do PL, não há resistência à indicação, e Alcolumbre teria se comprometido a consultar o Palácio do Planalto antes de definir o relator.
Interlocutores ouvidos por Larissa Rodrigues avaliam que Pacheco mantém bom diálogo com o setor empresarial e seria bem recebido por esses segmentos.
Enquanto as discussões avançam no Congresso, o tema também ganhou espaço no Conselhão. Durante reunião do grupo, Dario Duigan defendeu publicamente a proposta.
“É importante a gente avançar com o fim da escala 6×1”, afirmou.
Segundo ele, a medida está relacionada à promoção da dignidade, do respeito e à redução das desigualdades no mundo do trabalho.
Mercado de trabalho tem disputa entre quiet quitting e quiet hiring

