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Central do crime: o que são “jammers”, usados em celulares roubados

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Central do crime: o que são “jammers”, usados em celulares roubados

Os “jammers” encontrados pela Polícia Civil de São Paulo em um apartamento que funcionava como uma espécie de “central do crime” de receptação de celulares roubados, nesta quarta-feira (10), na capital paulista, são um tipo de bloqueador de sinais de comunicação. 

Os dispositivos criam uma “interferência” que impede a conexão entre aparelhos e torres ou roteadores, o que bloqueia sinais de celular, Wi-Fi, Bluetooth e GPS. 

As “ferramentas” emitem sinais mais fortes nas mesmas faixas de frequência dos dispositivos-alvo, “abafando a comunicação real. O resultado é a perda imediata de sinal e de conectividade. De acordo com os policiais, os equipamentos encontrados eram tão potentes que chegaram a afetar a conexão de internet de todo o prédio.

Os “jammers” são usados ilegamente por criminosos para neutralizar diversos tipos de rastreadores e bloquear celulares de vítimas.

Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o uso de bloqueadores de sinal por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de direito privado, ainda que sejam empresas públicas ou sociedades de economia mista e suas subsidiárias, é estritamente proibido pela legislação brasileira.

A instalação ou operação desses dispositivos sem anuência da Anatel ou em áreas diferentes das permitidas constitui atividade clandestina de telecomunicações, conforme previsto na Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº 9.472/1997). A infração é considerada crime, sujeita à pena de dois a quatro anos de detenção.

Entenda a operação

Polícia Civil de São Paulo encontrou um apartamento utilizado como uma espécie de “central” de receptação de celulares roubados durante a Operação Contrafeixe, deflagrada nesta quarta-feira (10) na capital paulista.

Segundo delegados do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), o imóvel armazenava 182 celulares e 42 alianças supostamente provenientes de roubos e furtos. No local, os investigadores também apreenderam quatro bloqueadores de sinal, conhecidos como “jammers”, utilizados para dificultar o rastreamento dos aparelhos.

De acordo com os policiais, os equipamentos eram tão potentes que chegaram a afetar a conexão de internet de todo o prédio, gerando reclamações frequentes de moradores e acionamentos de prestadores de serviço.

A operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes de uma rede responsável por receber, catalogar e comercializar celulares roubados por criminosos que atuam na capital paulista, incluindo grupos conhecidos pela prática do chamado “quebra-vidro”, modalidade em que ladrões quebram os vidros de veículos para subtrair objetos das vítimas.

Segundo os investigadores, os aparelhos apreendidos passavam por um processo de triagem e organização. Os celulares eram etiquetados e armazenados em condições destinadas a dificultar a localização pelas autoridades.

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A operação resultou na prisão de uma pessoa. Outras oito seguem sob investigação.

Produtos roubados

Durante a coletiva de imprensa, representantes do Deic afirmaram que a estrutura criminosa movimentava milhões de reais por mês e funcionava como um importante ponto de escoamento de produtos roubados. O valor estimado dos bens apreendidos nesta quarta-feira varia entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

De acordo com os investigadores, celulares desbloqueados possuíam maior valor no mercado clandestino porque permitiam acesso a aplicativos bancários e financeiros das vítimas, possibilitando transferências e fraudes. Já os aparelhos bloqueados continuavam sendo revendidos para aproveitamento de peças ou encaminhados para outros mercados.

Os delegados também afirmaram que os receptadores não atuavam apenas com celulares. A organização recebia diversos objetos roubados nas ruas, incluindo alianças e outros pertences levados de vítimas durante assaltos.

Uma loja física suspeita de receber aparelhos para desmontagem e comercialização de peças também foi alvo de buscas.

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Segundo o Deic, a investigação faz parte de uma estratégia voltada a enfraquecer a cadeia econômica que sustenta roubos e furtos de celulares na capital. As diligências continuam para identificar outros envolvidos e ampliar o mapeamento da rede de receptação.

Os investigados podem responder por crimes como associação criminosa, roubo, furto, receptação e furto mediante fraude eletrônica.