A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 segue em tramitação no Senado e continua gerando debate intenso no Brasil.
A âncora do Hora H, Thais Herédia, analisou o tema e destacou que a principal preocupação do empresariado é a ausência de racionalidade e ponderação na condução dessa discussão.
A questão da produtividade e a realidade brasileira
Uma das teses em debate é a de que a redução da jornada de trabalho poderia gerar ganhos de produtividade, com trabalhadores produzindo mais em melhores condições.
Segundo Herédia, esse caminho é natural e já ocorreu em outras economias, mas com uma ressalva importante: “Isso aconteceu em economias que têm uma infraestrutura melhor”.
No Brasil, mesmo trabalhando menos dias, o trabalhador ainda enfrentaria longas horas de deslocamento em razão do transporte público precário e conviveria com uma renda média baixa.
Herédia também chamou atenção para o formato como a PEC está sendo encaminhada no Congresso Nacional.
Para ela, “o Brasil está criando várias jabuticabas que não existem em outro lugar do mundo”.
A análise considera que o país ainda compartilha características com economias em desenvolvimento, marcadas por um mercado de trabalho precarizado, alta informalidade, baixa produtividade e dificuldade de qualificação profissional ao longo da vida dos trabalhadores.
Apesar das críticas ao ritmo e à forma da discussão, Herédia reconheceu que a mudança é inevitável e representa o futuro das relações de trabalho.
“A classe empresarial lamenta a falta desse debate, da ponderação e do tempo correto para fazer, mesmo sabendo que é uma mudança inevitável”, afirmou.
A âncora concluiu que o país precisa caminhar nessa direção, mas de forma estruturada: “temos que caminhar com as próprias pernas sem precisar ajoelhar logo ali na frente”.

