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Reforma tributária é “bomba atômica” para aviação, diz CEO da Latam Brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Reforma tributária é “bomba atômica” para aviação, diz CEO da Latam Brasil

O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, classificou a reforma tributária como uma “bomba atômica” e um “desastre” para o setor aéreo.

A fala ocorreu durante um evento que reuniu empresas da aviação e do turismo nesta quarta-feira (10), em São Paulo.

Segundo Cadier, atualmente a companhia paga R$ 2 bilhões em impostos por ano, valor que deve passar para R$ 6 bi com a reestruturação na carga tributária.

Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil • Reprodução

Na avaliação do executivo, a reforma tributária é “boa” para o país e se faz necessária, mas para alguns setores, como na aviação e no turismo “é uma bomba atômica” e um desastre.

“Com a reforma tributária implementada (…) vai passar para R$ 6 bilhões. No entanto, é importante dizer que quem paga isso não é a Latam. Quem paga é o cliente que está voando”, afirmou.

Cadier afirmou ainda que há uma falta de articulação entre as companhias aéreas, ao dizer que se discute muito a questão das passagens aéreas, deixando o pensando do “ecossistema” de lado.

“Falta um trabalho integrado (…) temos trabalhado muito em como pensar a passagem aérea e não tem colaborado com o setor para pensar o ecossistema”, disse.

Em relação à operação, o executivo afirmou que os impactos da reforma fiscal terá reflexo tanto nas operações domésticas, quanto nas internacionais, diante do país passar a adotar uma tributação superior à praticada na maioria do mercado externo.

“O Brasil vai se colocar absolutamente como pária cobrando uma coisa que ninguém cobra”, alertou.

Risco de redução de rotas

Na aviação, as principais preocupações em relação a reforma fiscal estão no aumento de custo nas passagens e nas tarifas aeroportuárias. Além do fim dos incentivos fiscais de ICMS concedidos pelos estados às companhias aéreas.

Com a mudança, esse tipo de benefício deixa de ser possível. Para manter os incentivos, os estados teriam de usar recursos do próprio orçamento, o que é considerado pouco viável.

“Muita rota só é operada por subsídio no ICMS. Com o fim do imposto, se o estado quiser manter esse incentivo, terá de tirar dinheiro do orçamento público para repassar às companhias, o que não é a realidade”, explicou o Fábio Rogério, CEO da Aeroportos do Brasil.

O ICMS hoje tem peso relevante no custo da aviação, especialmente sobre o QAV, que representa quase 40% do custo total das companhias aéreas. A expectativa é que a alíquota média atual do setor seja de 15% e pode subir para 27,5% com o novo modelo, explicou Rogério.

Com o aumento de custos, especialistas do setor avaliam que a demanda pode cair no setor e, por consequência, as companhias reduzem ou encerram operações para rotas menos rentáveis, afetando principalmente estados ou municípios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Enquanto isso, os mercados das regiões Sul e Sudeste e o voos para Brasília tendem a concentrar a oferta.

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