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Oceana Metals prevê declarar recursos de Serra Negra em até 12 meses

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

A australiana Oceana Metals espera concluir em até 12 meses a declaração de recursos do projeto Serra Negra, em Minas Gerais, etapa considerada fundamental para o avanço do empreendimento rumo ao licenciamento. A informação foi dada pelo membro do conselho da companhia, Rodrigo Rosso, em entrevista exclusiva ao programa Mapa da Mina, da CNN.

Recentemente, a empresa anunciou a aquisição do projeto Serra Negra por meio da compra de 100% da Songeo Mineração, companhia brasileira que detém os direitos do ativo. A Oceana apresenta o empreendimento como um projeto de terras raras hospedado em carbonatito, com potencial adicional para nióbio.

“A nossa expectativa é que em até 12 meses a gente consiga trabalhar e construir um recurso relevante”, afirmou Rosso. Segundo ele, a empresa revisitou estudos geológicos já existentes na área porque as pesquisas anteriores não estavam direcionadas especificamente para terras raras e nióbio.

Após a etapa de declaração de recursos, a companhia pretende iniciar o processo de licenciamento. De acordo com o executivo, a obtenção das licenças prévia e de instalação pode levar aproximadamente 24 meses.

Rosso afirmou que a Oceana conta com o suporte financeiro do grupo australiano Care Capital para desenvolver o projeto. “A Oceana é um investimento do grupo australiano Care Capital com grande capacidade de atração de capital para desenvolvimento de projetos”, disse.

Embora a empresa ainda não tenha divulgado uma estimativa oficial de investimentos, Rosso citou como referência projetos semelhantes desenvolvidos por empresas como Meteoric, Viridis e St. George, cujos aportes previstos variam entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões.

O executivo destacou ainda o potencial geológico de Serra Negra. Segundo ele, o projeto está localizado em um carbonatito com cerca de 10 quilômetros de extensão, característica que pode colocá-lo entre os maiores depósitos de terras raras e nióbio do mundo.

Atualmente, o mercado brasileiro de nióbio é amplamente dominado pela CBMM, controlada pela família Moreira Salles, mas novas empresas estrangeiras vêm ampliando a presença no país. Entre elas está a australiana St. George, que também busca desenvolver ativos ligados ao mineral.

Rosso avalia que a demanda global por nióbio e terras raras tende a crescer nos próximos anos impulsionada pela transição energética e pelo avanço tecnológico. Hoje, o mercado mundial de nióbio gira em torno de 130 mil toneladas anuais e tem forte concentração em aplicações siderúrgicas. No entanto, o executivo vê novas oportunidades ligadas à descarbonização da economia, à produção de eletroímãs e a outras tecnologias emergentes.