Um boletim do NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, em tradução livre) projeta o início do fenômeno do El Niño, com uma segunda temporada para o final de 2026.
Cenário reforça preocupação com possibilidades do Aedes aegypti, mosquito que provoca dengue, se proliferar durante temporadas de fortes chuvas.
A preocupação se dá diante do aumento das temperaturas e temporais que contribuem para a proliferação do mosquito, responsável não apenas pela dengue, mas também doenças como zika e chikungunya.
A médica infectologista e Diretora da CCI (Controle de Infecções) do Hospital e Maternidade Santa Joana, de São Paulo, Dra. Rosana Richtmann, aponta que a atenção precisa ser contínua na população.
“Essa mudança nas condições climáticas acelera o ciclo de vida do mosquito, enquanto as mudanças no regime de chuvas favorecem o surgimento de criadouros. Por isso, a prevenção precisa ser constante, especialmente dentro de casa, onde ocorre a maior parte das transmissões”, explica a doutora.
Para proteção contra a dengue e outras doenças causadas pelo mosquito, é necessário o uso de inseticidas, repelentes e outras medidas complementares, como eliminação de água parada, manter caixas d’água fechadas e higienizar recipientes que acumulam água.
A executiva de controle de pragas da empresa SBP, Letícia Pires, reforça que a atenção nos próximos meses, a atenção deve ser redobrada: “A combinação entre conscientização, hábitos preventivos e o uso de soluções efetivas é essencial para reduzir os impactos da dengue no país.”
O que é o El Ninõ?
O fenômeno climático do El Niño está relacionado com o aquecimento irregular das águas superficiais do Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica tropical e influencia o clima de várias regiões pelo planeta Terra. A climatologia o reconhece há muito tempo, mas ainda existem dificuldades em antecipar a sua intensidade exata em cada uma de suas aparições e seus impactos regionais.
Segundo o boletim, as condições neutras ainda predominam no oceano, mas a transição para o El Niño é considerada provável entre maio e julho, com 61% de chance. Para o fim de 2026, a probabilidade de ocorrência de algum nível do fenômeno ultrapassa 90%.
Epidemia de dengue e vacinação
Em 2024, o Brasil enfrentou a pior epidemia de dengue de sua história e chegou a registrar 4.013.746 casos prováveis de dengue, 3.809 mortes, além de 232 óbitos em investigação.
Como uma das principais medidas adotadas, o Ministério da Saúde (MS) incorporou o teste rápido para o diagnóstico da dengue na tabela de procedimentos custeados pelo SUS.
Suspensão de vacina
O Ministério da Saúde afirmou na última segunda-feira (8) que ainda não há prazo definido para a conclusão da investigação envolvendo a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, que teve a aplicação suspensa temporariamente pelo governo federal.
Entre os 42 eventos adversos graves, três casos chamaram a atenção das autoridades sanitárias e passaram a ser investigados de forma aprofundada.
O Ministério da Saúde afirma que ainda não é possível concluir que os eventos foram causados pela vacina. Segundo a pasta, a proximidade temporal entre a imunização e o surgimento dos sintomas não comprova uma relação de causa e efeito.
*Sob supervisão de Thiago Félix, com informações de Laura Toyama e Thomaz Coelho

