A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia como uma vitória política a queda de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto. Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega ao Bastidores CNN, o PT atribui esse cenário à crise envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e à narrativa que o partido conseguiu construir em torno do episódio.
A avaliação interna da campanha petista é de que Flávio perdeu credibilidade junto ao eleitorado após o escândalo vir à tona. Para o PT, a disseminação de expressões como “Tariflávio” nas redes sociais representa uma vitória de narrativa conquistada pelo partido.
O que mostram os dados da pesquisa
Uma pesquisa da Genial/Quest, realizada com 2.004 eleitores entre os dias 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, revelou que 65% dos entrevistados consideram que Flávio errou ao pedir o financiamento do filme “Dark Horse” ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e que ele deveria ter evitado tal solicitação.
Outros 17% afirmaram que ele acertou e que não há nada de errado no financiamento, enquanto 18% não responderam ou preferiram não se manifestar.
A pesquisa também avaliou a percepção dos eleitores sobre as conversas entre Flávio e Vorcaro. Os dados apontam que 60% dos entrevistados consideram que as conversas levantaram suspeitas, 19% as consideram normais e 21% não souberam ou não quiseram responder.
Segundo Isabel Mega, o PT avalia que a queda de Flávio Bolsonaro (PL) em levantamentos de diferentes institutos está diretamente atrelada ao escândalo do Master, ao áudio em que o senador pede dinheiro a Vorcaro e à questão do tarifaço, que começa a ser mapeada em conjunto com essas outras estratégias narrativas.
Reação da campanha de Flávio e cautela do PT
Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também tem reagido ao cenário adverso. Iniciativas como o “Pix do Bolsonaro”, o lançamento de jingles e a produção intensa de material para as redes sociais fazem parte do esforço para reverter a situação.
Isabel Mega destacou que, na visão da esquerda, Flávio está perdendo credibilidade não apenas com o eleitorado bolsonarista, mas especialmente com o eleitorado de direita não bolsonarista — aquele que, em um eventual segundo turno ou em um voto útil, poderia migrar para outros candidatos do campo conservador.
Apesar do otimismo interno, a campanha de Lula mantém certo “pé no chão”. A rejeição a Lula ainda não recuou na medida esperada, e os índices de aprovação do governo, embora levemente melhores, ainda não atingiram o patamar desejado.
A pesquisa Genial/Quest registrou que a desaprovação ao governo caiu de 52% em abril para 48% em junho — variação fora da margem de erro —, enquanto a aprovação subiu de 43% para 47% no mesmo período.
Já entre maio e junho, a oscilação ficou dentro da margem de erro, não sendo possível afirmar crescimento ou queda. A avaliação positiva do governo passou de 31% em abril para 34% em maio e junho, enquanto a avaliação negativa recuou de 42% para 38% no mesmo intervalo.

