A Copa de Mundo de 2026 terá início nesta quinta-feira (11) em meio a impasses geopolíticos ligados aos Estados Unidos, um dos países-sede da competição, além de Canadá e México.
Questões ligadas à liberação de vistos, revista de jogadores e às restrições impostas para a Seleção do Irã repercutiram nos últimos dias, expondo tensões diplomáticas que afetam diretamente a logística de um dos maiores eventos esportivos do mundo.
O Mundial marca, por exemplo, a primeira vez, desde a criação do torneio em 1930, que um país-sede recebe uma seleção de uma nação com a qual está em guerra.
Ao mesmo tempo, o governo de Donald Trump teria investido R$ 1,2 bilhões (US$ 250 milhões) para reforçar a segurança do Mundial e ajudar as cidades americanas a se prepararem para enfrentar ameaças envolvendo drones, segundo uma reportagem do Front Office Sports.
Restrições ao Irã
Desde o fim de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra a República Islâmica, a participação do Irã na Copa do Mundo passou a ser marcada por incertezas.
No fim de abril, o presidente da Fifa, Gianni Infantino confirmou a participação da Seleção do Irã no Mundial, além de afirmar que a equipe disputaria os jogos nos EUA.
Inicialmente, o Irã planejava se instalar no estado do Arizona, nos Estados Unidos. No entanto, a federação iraniana decidiu transferir o centro de treinamento para o México.
Antes do início do Mundial, no entanto, a seleção iraniana enfrenta complicações burocráticas quanto à liberação de vistos e recusa de ingressos de torcedores. Apenas 10 dias antes do início da Copa, os jogadores iranianos receberam vistos para entrar nos EUA.
Além da demora para a liberação, a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) acusou os EUA de adotarem um “comportamento vingativo” ao negar vistos para 14 membros da equipe administrativa e de gestão que acompanhariam a seleção iraniana.
Já o Departamento de Estado norte-americano afirmou que todos os vistos necessários para a participação esportiva da seleção foram concedidos, incluindo aqueles destinados aos atletas e ao pessoal de apoio considerado essencial.
Outra restrição envolve a permanência da Seleção do Irã entre os dias de jogos da Copa. “De acordo com o visto deles, aparentemente eles podem ir de manhã e voltar à tarde”, disse o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh.
A dois dias do início da Copa do Mundo, a Fifa ainda revogou a distribuição de ingressos destinada aos torcedores iranianos para as três partidas da seleção nacional na fase de grupos do torneio nos Estados Unidos.
A informação foi confirmada pela FFIRI na terça (9), que lamentou o ocorrido e declarou que está oficialmente impossibilitada de fornecer as entradas aos seus torcedores.
O Irã fará seus dois primeiros jogos do Grupo G em Los Angeles: contra a Nova Zelândia, no dia 15 de junho, e diante da Bélgica, em 21 de junho. Depois, enfrenta o Egito em Seattle, no dia 26.
Árbitro barrado
Omar Artan, árbitro da Somália relacionado para apitar partidas na Copa do Mundo de 2026, foi deportado dos Estados Unidos após ter seu visto negado pelo país. Na segunda-feira (8), ele foi excluído pela Fifa do quadro de arbitragem desta edição.
De acordo com comunicado emitido pela Fifa, por se tratar de uma questão diplomática, a entidade afirmou não ter poder para intervir no processo.
A Fifa também destacou que, em situações como essa, cabe exclusivamente ao governo do país anfitrião — neste caso, os Estados Unidos — autorizar ou negar a entrada de estrangeiros em seu território.
Na terça (9), ele desabafou sobre o ocorrido ao jornal New York Times. Artan deu detalhes da entrevista de imigração e disse estar “desapontado”, já que portava a documentação correta para entrar no país.
O árbitro revelou em entrevista por telefone de Istambul, cidade para onde foi levado após ter a entrada negada nos EUA, que voou para o Aeroporto Internacional de Miami no sábado (6), e que sua entrevista de imigração durou cerca de 11 horas.
Indicado pela entidade do futebol mundial, Omar Artan foi eleito o melhor árbitro africano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025.
Revista de jogadores
A chegada da seleção de Senegal aos EUA também repercutiu ao ser marcada por uma fiscalização rigorosa.
A delegação foi submetida a uma inspeção detalhada antes mesmo de deixarem a área de desembarque. Esse é mais um dos episódios em meio a relatos de rigor na entrada de estrangeiros nos Estados Unidos às vésperas do Mundial.
Além de Senegal, outras delegações também passaram por procedimentos semelhantes. A seleção do Uzbequistão, por exemplo, teria passado por uma revista do mesmo tipo ao chegar aos Estados Unidos para disputar um amistoso contra a Holanda.
A humiliation and a disgrace that the Senegalese Football Federation has failed to speak out against. pic.twitter.com/ebFrut7XIi
— AlmarssadPro (@ProsMarocains) June 8, 2026
A repórter Karine Alves, da TV Globo, também relatou sobre sua experiência durante na inspeção. Ela afirmou no jornal “Bom dia Brasil” que precisou levantar o cabelo ao passar pela imigração.
Os relatos intensificam críticas em relação ao clima de recepção às delegações, jornalistas e demais profissionais envolvidos na Copa do Mundo. Com o início do torneio se aproximando, registros de revistas e abordagens em aeroportos vêm ganhando repercussão nas redes sociais e levantando questionamentos sobre o tratamento dado aos visitantes no país.
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