Os investimentos em geração de energia renovável no Brasil devem permanecer praticamente paralisados no Brasil nos próximos dois ou três anos. O diagnostico foi feito pelo CEO da EDP na América do Sul, João Brito Martins, durante entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN.
Segundo o executivo, a atual conjuntura do mercado brasileiro de excesso de oferta de energia, volatilidade dos preços e cortes de geração impostos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), conhecido pelo jargão “curtailment” reduziu a atratividade econômica de novos empreendimentos.
“Não haverá investimentos em renováveis nos próximos dois ou três anos. E, portanto, essa necessidade de reciclar capital é menos necessária, por isso não avançamos na venda dos projetos de Novo Oriente e Pereira Barreto”, afirmou.
A EDP chegou a colocar à venda os complexos solares Pereira Barreto, com capacidade instalada de 252 megawatts (MW), localizado no município de mesmo nome, e Novo Oriente, com 254,6 MW, em Ilha Solteira. O BTG Pactual foi contratado para assessorar a operação. No entanto, o processo não prosperou em razão das dificuldades enfrentadas pelo segmento de geração renovável no país.
De acordo com Martins, as fontes renováveis perderam competitividade nos últimos anos, reduzindo o espaço para novos investimentos. Diante desse cenário, a estratégia da companhia tem se concentrado principalmente no segmento de transmissão de energia, considerado mais previsível e menos exposto às oscilações do mercado.
O executivo confirmou que a empresa deve participar do leilão de transmissão de energia e estuda o certame voltado a sistemas de armazenamento por baterias, ambos previstos para o segundo semestre de 2026.
A avaliação da EDP reflete um movimento mais amplo observado entre empresas do setor elétrico. Nos últimos dois anos, diversas companhias passaram a revisar seus planos de expansão em geração renovável e a redirecionar recursos para negócios considerados mais conservadores, como transmissão e distribuição.
Subsídios
A combinação desses elementos tem dificultado a viabilidade econômica de novos projetos. Além disso, o mercado aponta que a presença de subsídios e a alocação considerada ineficiente de recursos contribuíram para ampliar as distorções do setor, elevando a cautela dos investidores. Em 2025, estes incentivos foram responsáveis por mais de 18% do custo da tarifa.
Martins destaca os incentivos dados à geração distribuída, que segundo ele “pesam na conta” do consumidor. Dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontam que em 2025 este segmento recebeu mais R$ 14,4 bilhões em subsídios.
