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Papa Leão XIV encontra vítimas de abuso na Espanha em meio a protestos

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Papa Leão XIV encontra vítimas de abuso na Espanha em meio a protestos

O papa Leão XIV se reuniu nesta segunda-feira (8) com seis sobreviventes de abusos cometidos por integrantes do clero católico na Espanha, informou o Vaticano.

Grupos de sobreviventes que não foram convidados criticaram o evento, classificando-o como uma mera oportunidade para fotos.

O Vaticano forneceu poucos detalhes sobre a reunião, que durou cerca de uma hora, mas afirmou que o pontífice ouviu propostas para tornar a proteção da Igreja mais eficaz e prometeu transformá-la em um espaço seguro para todos.

Leão XIV, em visita de uma semana à Espanha, já havia feito a primeira referência direta aos escândalos que abalaram a credibilidade da Igreja espanhola, dizendo aos bispos que devem ouvir as vítimas e oferecer-lhes reparações.

Ele disse aos clérigos que os sobreviventes de abusos deveriam ver um “compromisso firme” da Igreja para fortalecer a proteção e criar uma cultura segura para crianças e outras pessoas vulneráveis.

Um relatório de 2023 do Provedor de Direitos Humanos da Espanha estimou que milhares de vítimas sofreram abusos por parte do clero espanhol ao longo de décadas, ecoando escândalos que abalaram a autoridade moral da Igreja em todo o mundo e custaram milhões de dólares em indenizações.

Juan Cuatrecasas, presidente do grupo “Infância Roubada”, disse que o encontro dos sobreviventes com o papa ficou aquém do esperado por não incluir representantes de todas as vítimas da Igreja.

“Eles estão sendo usados ​​pela Igreja, pela Conferência Episcopal, para limpar a imagem da Igreja espanhola”, disse ele aos repórteres.

Sobreviventes dizem que a Igreja precisa fazer mais.

Embora o antecessor de Leão XIV, Francisco, tenha tomado medidas para combater os abusos clericais, grupos de sobreviventes têm exigido uma responsabilização mais rigorosa e uma política global de tolerância zero para o clero acusado de má conduta.

A organização “Infância Roubada” e outros grupos espanhóis exigiram medidas que incluem indenização justa e acompanhamento psicológico vitalício para as vítimas, além de apoio à educação e ao emprego.

Na semana passada, o cardeal madrilenho José Cobo afirmou que não seria viável para o papa encontrar-se com vários grupos de sobreviventes durante sua agenda lotada.

“É simplesmente porque o tempo dele é limitado”, disse Cobo.

O ativista espanhol Miguel Hurtado ficou consternado com o fato do papa não ter agendado um encontro com sobreviventes de abusos na Abadia de Montserrat, nos arredores de Barcelona, ​​onde Hurtado afirma ter sofrido abusos na adolescência.

Leo visitará Montserrat, que foi incluída no relatório do ouvidor de 2023, na quarta-feira (10) e almoçará com os monges beneditinos locais.

“No mínimo… lembrem-se das vítimas”, disse Hurtado aos repórteres. “Comprometam-se publicamente a limpar a Igreja dos abusadores e daqueles que os acobertam.”

O relatório do ouvidor identificou 15 vítimas e três supostos autores ligados à abadia.