Soluções boas e baratas viralizam todos os dias na internet. Fórmulas que prometem baixa dificuldade de adesão e custos acessíveis costumam atrair entusiastas preocupados com a saúde ou estética de seus corpos. Dentro desse universo, surge o mito do “Mounjaro de pobre”, que atribui a uma fibra em pó o sonho do manequim idealizado.
De origem indiana, o Psyllium tem se popularizado por ser um bom aliado na perda de peso. Com efeito que se assemelha ao inibidor de apetite mais famoso do mundo, a fórmula não funciona propriamente como um medicamento.

O que diz a ciência
Um estudo publicado pela Wolters Kluwer Health – empresa especializada em estudos científicos no setor de saúde – traz uma revisão abrangente que investiga o impacto do psílio (psyllium) no peso corporal, no IMC (Índice de Massa Corporal) e na circunferência da cintura em indivíduos com sobrepeso ou obesidade.
A pesquisa descobrir que a fibra natural é predominantemente solúvel e que, quando hidratada, forma um gel viscoso não digerível nem fermentado.
Esse gel aumenta a viscosidade do quimo no intestino delgado, o que retarda a degradação e a absorção de nutrientes. O efeito causa uma “sensação de estufamento” e pode aumentar a saciedade, se consumido antes das refeições.
Além de facilitar a perda de peso, o psílio demonstra efeitos significativos no controle glicêmico (em pacientes com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica) e na redução do colesterol.

Mito do remédio barato
O uso da adjetivação do “Mounjaro de pobre” tem apelo exclusivamente financeiro, uma vez que nada tem de medicamento.
Enquanto a caneta emagrecedora é encontrada por volta de R$ 1 mil reais nas farmácias, a fibra é vendida na internet, por valores entre R$ 30 e R$ 100, a depender do estado que será consumido.
Embora seja reconhecida como bom auxílio, o uso do Psyllium deve ser ministrado respeitando uma dieta orientada por um profissional de nutrição. O uso desorientado do alimento pode causar efeitos reversos aos desejados.

