A diferença de votos entre a conservadora Keiko Fujimori e o deputado de esquerda Roberto Sánchez, nas eleições presidenciais do Peru, continua a diminuir com a última contagem, que agora aponta para 92,8% e uma diferença de menos de 50 mil votos.
Fujimori continua na liderança com 50,114%, enquanto Sánchez tem 49,886%, impulsionado pelas apurações vindas de áreas rurais. Neste momento, a diferença é de pouco mais de 43.600 votos.
As pesquisas que antecederam a eleição mostraram os dois candidatos em um empate estatístico. A nação andina espera encerrar uma década de profunda instabilidade política, durante a qual nenhum líder completou um mandato inteiro.
Uma contagem inicial publicada pelo instituto de pesquisas Ipsos no final do domingo (7) mostrou Sánchez liderando a corrida presidencial com 50,3%, em comparação com 49,7% de Fujimori, um empate estatístico segundo representantes da Ipsos.
A corrida presidencial do Peru continua acirrada nesta segunda-feira (8) com a contagem entrando em seu segundo dia. Os votos da capital Lima, reduto de Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tendem a ser contados primeiro, enquanto Sánchez pode ganhar terreno nesta reta final, à medida que as cédulas das áreas rurais forem contabilizadas.
Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, após o primeiro turno em 12 de abril, com uma soma de pouco menos de 30% dos votos, com mais de dois terços dos eleitores apoiando outras opções.
Crise política
Analistas afirmam que a eleição reflete uma profunda crise de legitimidade política. O Peru elegerá seu nono presidente em uma década, após uma série de líderes terem sido destituídos do cargo ou renunciado em meio a escândalos de corrupção. Quatro ex-presidentes estão atualmente presos.
“Esta é uma eleição sem liderança sólida, com grande desconfiança no sistema eleitoral”, explicou o analista político Jeffrey Radzinsky, observando que “a figura do presidente da República perdeu peso no imaginário coletivo”.
Urpi Torrado, CEO da empresa de pesquisas Datum Internacional, afirmou que grande parte da votação está sendo impulsionada pela rejeição, e não pelo entusiasmo, com muitos peruanos escolhendo entre o que consideram o menos pior.
“Não há perspectivas definidas para nenhum dos candidatos”, analisou ela.
Fujimori, candidata à presidência pela quarta vez, fez campanha com uma plataforma de linha dura contra o crime, evocando o legado de seu falecido pai.
Sánchez, herdeiro político do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo, atualmente preso, moderou suas propostas de reforma econômica numa tentativa de atrair eleitores de centro e tranquilizar os investidores.
O eleito herdará um Congresso fragmentado, aumento da criminalidade e uma nação onde quase metade dos cidadãos acredita que o próximo presidente também não completará seu mandato de cinco anos.
*Com informações da agência de notícias Reuters
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