Quando uma grande explosão sacudiu o prédio onde Olha Mudra mora, em Kiev, capital ucraniana, nas primeiras horas de terça-feira (2), parecia o fim do mundo.
Mudra, com os cabelos cobertos de poeira e o rosto manchado de fuligem, relembrou o momento em que a explosão ocorreu, no terceiro ataque em massa à capital ucraniana em tantas semanas.
“Havia fumaça por toda parte, não dava para ver nada”, disse Mudra à Reuters, ao lado de sua filha de 6 anos, Natalia. “Não conseguíamos entender o que estava acontecendo – algum tipo de apocalipse?”
Atrás dela, equipes de emergência e outros moradores observavam prédios danificados, destroços retorcidos e veículos queimados, que se tornaram uma cena familiar em uma guerra aérea com a Rússia que parece estar se intensificando.
Ambos os lados afirmam atacar apenas alvos militares. Mas civis também acabam presos no horror, com pelo menos 18 pessoas mortas e mais de 100 feridas nos últimos ataques russos.
Pelo menos 12 mortes ocorreram na cidade de Dnipro, no sudeste do país.
Do lado de fora de um prédio destruído lá, um pequeno grupo de familiares e amigos observava em choque enquanto os socorristas retiravam pelo menos três corpos dos escombros. Um homem entre eles caiu em lágrimas.
Em Kiev, não estava claro se o apartamento de Mudra foi atingido por um drone, um míssil ou por destroços de um projétil derrubado pelas defesas aéreas ucranianas. Qualquer que tenha sido a causa, a confusão tomou conta.
“Estávamos ligando para outras pessoas, porque não conseguíamos enxergar nada”, disse ela. “As pessoas usavam lanternas, porque estava escuro. Não sabíamos onde estávamos.”
Metrôs lotados; exaustão crescente
Kiev e outras cidades ucranianas acordaram na terça-feira ao som dos alarmes de ataque aéreo e das explosões das defesas aéreas, além de drones e mísseis que iluminavam o céu noturno ao atingir seus alvos.
Milhares de moradores da capital correram para estações de metrô, onde estenderam colchões e montaram barracas ao longo das plataformas lotadas para se abrigar do perigo no subsolo.
Anna Krzhypenska, uma estudante de 21 anos, resumiu bem a sensação de exaustão de um conflito que já entra em seu quinto ano.
“É difícil, tanto mental quanto fisicamente, porque você gostaria de acordar em paz de manhã, tomar uma xícara de café, mas em vez disso precisa descer (para o metrô).”
Nas horas seguintes ao ataque, bombeiros combateram incêndios em vários locais.
O bombardeio ocorre em meio a uma escalada na retórica entre Rússia e Ucrânia, o que deixa pouca esperança de um fim rápido para o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
A Rússia lançou sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022, na esperança de derrubar o governo pró-Ocidente em Kiev. Desde então, centenas de milhares de soldados e milhares de civis foram mortos, embora as linhas de frente quase não tenham se movido.

