A Raízen protocolou nesta sexta-feira (5) na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, seu plano de recuperação extrajudicial, propondo uma ampla reestruturação financeira para enfrentar um endividamento de R$ 64,7 bilhões. O plano conta com a adesão de credores que representam 75,45% dos créditos financeiros e quirografários abrangidos pela operação.
A companhia,uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo e licenciada da marca Shell na distribuição de combustíveis no Brasil, afirma em nota, que a medida busca restabelecer o equilíbrio financeiro, reduzir a alavancagem e criar condições para a retomada da geração de valor nos próximos anos.
Entre os principais pilares da proposta está um aporte de até R$ 4 bilhões pelos acionistas. A Shell liderará uma injeção de R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Participações, veículo de investimentos da família de Rubens Ometto, poderá aportar outros R$ 500 milhões caso formalize adesão ao plano.
Além disso, a empresa propõe converter 45% da dívida sujeita à recuperação em ações da companhia. Os 55% restantes serão renegociados por meio de novos instrumentos financeiros, com prazos mais longos e condições alinhadas à capacidade futura de geração de caixa.
Divisão dos negócios
Um dos pontos mais relevantes da reestruturação é a segregação das operações da Raízen em duas empresas independentes até o final de 2027.
A futura Raízen Energia concentrará os negócios de açúcar, etanol e bioenergia, enquanto a Raízen Combustíveis ficará responsável pelas atividades de distribuição de combustíveis e lubrificantes licenciados da marca Shell.
Segundo a companhia, a separação permitirá estruturas de capital distintas para cada operação, com alocação de dívida mais adequada às características de cada segmento.
A estratégia também busca aumentar a transparência dos negócios, simplificar a gestão e facilitar a execução dos planos de crescimento.
Governança reforçada
O plano prevê a manutenção da atual diretoria durante a fase de implementação, mas com reforço da supervisão dos credores.
O atual diretor financeiro (CFO), Lorival Nogueira Luz Jr., acumulará também a função de Chief Restructuring Officer (CRO), tornando-se o responsável direto pela condução da reestruturação financeira e pela reorganização interna da companhia.
O Conselho de Administração permanecerá com sua composição atual até março de 2027. Após esse período, será formado um novo colegiado com sete membros e regras de aprovação qualificada para decisões estratégicas.
Em comunicado, o CEO da Raízen, Nelson Gomes, afirmou que a companhia segue comprometida com a continuidade das operações e com a implementação das medidas necessárias para restaurar a geração de valor.
A formalização do acordo, segundo ele, representa um avanço importante na reorganização operacional e financeira e, futuramente, na composição societária da Raízen. O executivo afirma estrar construindo uma estrutura mais simples, mais eficiente e mais aderente à geração de valor dos negócios da companhia.
Operações seguem normalmente
A companhia ressaltou que a recuperação extrajudicial possui caráter exclusivamente financeiro e não afeta contratos com clientes, fornecedores, revendedores ou demais parceiros comerciais.
Segundo a empresa, todas as obrigações operacionais continuarão sendo cumpridas normalmente, sem impacto para o fornecimento de combustíveis, açúcar, etanol ou demais produtos comercializados pelo grupo.
O plano será agora submetido à homologação judicial. A legislação prevê um prazo de 30 dias para eventuais objeções dos credores antes da decisão final da Justiça.

