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Brasil assume liderança no ranking de mais seguidores nas redes sociais

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Brasil assume liderança no ranking de mais seguidores nas redes sociais

Pelo menos nas redes sociais, o Brasil pode dizer que já está em primeiro lugar. Nesta semana, o perfil da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Instagram chegou a 22,5 milhões de seguidores e se tornou, pela primeira vez na história, líder do ranking nesta plataforma.

A primeira colocação pertencia, já há alguns anos, a Portugal, impulsionada, é verdade, pelo poder midiático de Cristiano Ronaldo, que estacionou em 21,9 milhões de seguidores.

O crescimento do perfil do Brasil se deu desde meados de 2025, quando a CBF  comunicou uma alteração ao mudar o nome do perfil oficial de “CBF” para “Brasil”. À primeira vista, pareceu ser uma mudança irrisória, mas especialistas apontam que passar de “@cbf_futebol” para “@brasil” significou muitos impactos, no campo dos negócios e do marketing.

Uma prova disso é que somente neste ano, a Seleção Brasileira ganhou quase três milhões de seguidores, sendo mais de um milhão somente durante o mês de maio. No ano passado, quando ocorreu a mudança de nome do perfil, a CBF contava com a marca de 18 milhões de seguidores.

Para a entidade, o objetivo é claro: buscar a intercionalização do perfil em busca de fãs de outros continentes e menos familiarizados com siglas do futebol nacional, além de tornar a conta mais acessível e atrativa.

Para especialistas, esse aumento comprova um avanço, ao contrário do que vinha acontecendo há alguns anos, quando o perfil vinha inclusive perdendo inscritos.

“A troca do nome do perfil foi apenas o primeiro passo em um processo de internacionalização muito mais amplo. Mudar o @ facilita o reconhecimento fora do Brasil, mas não gera tração por si só, é preciso sustentar o movimento com campanhas consistentes, produção de conteúdo em diferentes idiomas, parcerias regionais e narrativas que conectem emocionalmente com novos públicos. A internacionalização digital não acontece com um rebranding pontual, e sim com frequência, coerência e investimento em cultura local”, reforçou Wagner Leitzke, head de digital da Agência End to End.

Além do Brasil, quem recentemente fez um movimento parecido foi a seleção da Inglaterra, que passou a se chamar @england no Instagram e conta com 12,4 milhões de seguidores.

“Mudanças que trazem facilidades aos torcedores, especialmente aos que estão em outros continentes, são sempre importantes, e é isso que a CBF busca alterando o @ para brasil. Já é um movimento feito pela seleção da Inglaterra, e os números mostram que contas com nomes acessíveis são mais reconhecidas e seguidas, além de trazer um amplo leque de ganhos institucionais e comerciais. Esse crescimento em tempos de redes sociais é fundamental, mas é válido dizer que devem vir acompanhadas de ações criativas e um conteúdo que consiga atrair diferentes tipos de públicos. Mas essa alteração já é mais um caminho de sucesso da entidade”, diz Joaquim Lo Prete, General Manager da Absolut Sport, agência de experiências esportivas, no Brasil.

“A seleção mais famosa do mundo, dona da camisa amarela que se confunde com a própria história do futebol, sempre foi um símbolo global mas por muito tempo deixou de ser tratada como um produto global. Esse passo da CBF foi fundamental para reposicionar essa marca icônica à altura de sua relevância mundial, ainda que a mudança de nome por si só não baste: é preciso um ecossistema de conteúdo, linguagem e relacionamento que fale de fato com o público global”, afirmou Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.

Já a Argentina, atual campeã do mundo, segue com o nome parecido ao que estava o Brasil, fazendo alusão à confederação, no caso, @afaseleccion. Atualmente, o país possui 14,6 milhões de seguidores.

Entre as outras grandes seleções do mundo, a França tem a conta como @equipedefrance e 16,9 mi de seguidores. A da Alemanha talvez seja uma das mais confusas, e até por isso, das que têm menos seguidores – 7,2 mi no total, com o nome @dfb_team. A Itália leva o nome de @azzurri e possui 6,4 milhões. Já o perfil da Seleção Espanhola também é difícil de ser encontrado por povos de outros nacionalidades (@sefutbol), e conta apenas com 7,4 milhões de seguidores.

“Onze de cada dez” pessoas fora do Brasil não sabem o que a sigla significava, e até o perfil da confederação portuguesa, que é de um pais com população que não é de um décimo da nossa, tem mais seguidores, usando o nome do país. Não é uma inovação, mas uma iniciativa válida, que réplica o que já funcionou com outros”, aponta Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana.

“Apesar de pouco tempo da nova gestão, a CBF vem realizando mudanças importantes em vários temas. O sinal é claro, existe uma estratégia em curso de reaproximação do torcedor, de resgate do orgulho de torcer para o Brasil. As intenções me parecem as melhores possíveis. Entretanto, a estratégia a ser utilização na minha opinião deve ser de médio, longo prazo. Em função de gestões temerárias anteriores, é normal o torcedor ficar com um pé atrás”, encerra Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo.

O interesse pelo futebol brasileiro também se reflete nas plataformas de placares ao vivo. De acordo com dados da “Flashscore”, entre janeiro e fevereiro de 2026, Endrick aparece como o jogador brasileiro convocado com o maior número de visualizações em seu perfil entre os usuários da plataforma pelo mundo, com quase 8,4 milhões de visitas. Vinicius Junior vem na sequência, com 7,3 milhões, e Igor Thiago — uma das surpresas da lista de Carlo Ancelotti — obteve 6,6 milhões de visualizações. Outros nomes como Raphinha e Neymar também estão entre os mais vistos. O recorte reforça como o interesse internacional por esses atletas está diretamente ligado ao ciclo da seleção e às expectativas em torno do torneio, com jovens promessas e jogadores já consolidados concentrando grande parte da atenção digital.

“Os jogadores brasileiros seguem entre os ativos mais valiosos do futebol mundial, também no ambiente digital. Observamos que atletas cotados para a próxima Copa do Mundo concentram uma parcela significativa da atenção global na plataforma, refletindo tanto o desempenho atual quanto a expectativa em torno da Seleção. Quanto mais nos aproximamos do torneio, mais os fãs querem entender o que pode acontecer, e encontram em nossos dados e insights uma base relevante para suas análises. São atletas que combinam desempenho em alto nível com forte apelo internacional, o que impulsiona seu alcance e engajamento entre fãs de diferentes países”, afirmou Alexandre Vasconcellos, diretor regional da Flashscore no Brasil.

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