O Brasil deverá registrar uma das maiores recuperações de sua produção cafeeira dos últimos anos na safra 2026/27, com 70 milhões de sacas. Segundo relatório divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), as condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras impulsionam uma perspectiva positiva, especialmente para o café arábica, após um longo período marcado por safras abaixo do potencial.
O USDA destaca que a colheita de 2026/27 tem potencial para alcançar um nível recorde, impulsionada pela combinação de clima adequado, recuperação do ciclo produtivo do arábica e melhora das condições agronômicas observadas nas principais áreas cafeeiras do país. O resultado representa uma mudança importante após cinco anos consecutivos de produção considerada baixa em relação à capacidade produtiva brasileira.
Exportações em alta
A expectativa de maior oferta deverá refletir diretamente no comércio exterior. O órgão norte-americano projeta que as exportações brasileiras de café cresçam cerca de 30% no ano comercial 2026/27, para 49 milhões de sacas, apoiadas pelo aumento da oferta de produto para embarque. O Brasil segue como maior exportador mundial de café e tende a ampliar sua participação no mercado internacional caso as projeções se confirmem.
O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de 60 kg de café entre janeiro e abril de 2026, uma queda de 24% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Em sua análise, o departamento americano lembra que a aprovação provisória do acordo entre a União Europeia e o Mercosul poderá impulsionar ainda mais as exportações brasileiras de café. Os grãos de café verde entram na Europa sem tarifas; o café solúvel tem 9% de taxa e o café torrado e moído em 7,5%.
Produtores cautelosos
Apesar do cenário favorável, o mercado ainda adota uma postura cautelosa. O relatório aponta que exportadores brasileiros têm evitado fechar novos negócios em grande volume devido aos estoques reduzidos e às incertezas climáticas para os próximos meses.
Uma eventual formação do fenômeno El Niño preocupa agentes da cadeia produtiva por seus possíveis impactos sobre o final da colheita atual e sobre o desenvolvimento da safra 2027/28.
A avaliação do USDA converge com estimativas recentes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que também indicam recuperação da produção nacional em 2026, sustentada pela bienalidade positiva do arábica e pelas boas condições observadas em importantes estados produtores.
O cenário de maior oferta surge após um período de forte valorização do café nos mercados nacional e internacional, provocado por restrições de oferta em grandes produtores globais e por eventos climáticos adversos registrados nos últimos anos. Com uma safra mais robusta no Brasil, o mercado passa a monitorar o equilíbrio entre a recuperação da produção e o comportamento da demanda global, além dos riscos climáticos que continuam sendo o principal fator de volatilidade para o setor.
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