O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse nesta quinta-feira (4) que ouviu do chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), Jamieson Greer, que o governo americano está disposto a “continuar dialogando” com o Brasil sobre a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
“Ele se aproximou de mim e conversamos. Ele disse que estava tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu disse que era do nosso interesse ter conversas, sobretudo depois dos anúncios dos resultados dos relatórios das investigações sobre a Seção 301 [da Lei de Comércio de 1974]”, disse.
Conforme havia sido antecipado pela CNN, o encontro ocorreu em Paris, durante reunião da OCDE (Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), um dia após a divulgação do relatório do USTR que sugere a adoção de uma tarifa de 25% sobre o Brasil.
Outro relatório recomenda tarifas de 10% ou 12,5% sobre um grupo de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos por tolerância com “trabalhos forçados” — o Brasil está na lista.
Segundo o chanceler brasileiro, quando começaram a surgir essas questões de impostos americanos, o Brasil logo se dispôs a negociar. “Temos um longo histórico de conversas, de reuniões bilaterais. Nós sempre estivemos dispostos a conversar, não só na área comercial, mas em outras áreas também, como o combate ao crime organizado”.
Tais temas também foram levantados pelo presidente Lula Inácio Lula da Silva (PT) nas últimas reuniões com o presidente americano, Donald Trump.

