A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta indicando que o fenômeno climático El Niño pode retornar ainda este ano, com intensidade moderada ou forte. Para Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente, ao CNN Novo Dia, não é necessário um chamado “Super El Niño” para que o Brasil enfrente sérias dificuldades climáticas.
As previsões indicam que o fenômeno pode se manifestar já ao final de junho, gerando preocupação entre meteorologistas e autoridades. Alertas antecipados têm sido emitidos para que governos se preparem com antecedência para os possíveis impactos.
Impactos regionais e histórico recente
Pedro Côrtes destacou que o El Niño promove mudanças climáticas significativas em diferentes regiões do país. “Ele traz muita chuva para a região Sul, parte da região Sudeste, leva secas pronunciadas tanto para o Nordeste quanto para a Amazônia”, explicou. O analista também lembrou que rios amazônicos já chegaram a registrar níveis muito baixos em episódios anteriores do fenômeno.
O El Niño mais recente, ocorrido entre 2023 e 2024, foi amplamente chamado de “Super El Niño”, embora essa categoria não seja reconhecida oficialmente pelos meteorologistas. Ainda assim, o episódio gerou consequências graves, como a tragédia no Rio Grande do Sul. “Os alertas são necessários porque a gente não precisa ter um Super El Niño para enfrentar problemas”, afirmou Côrtes.
O que caracteriza o El Niño
O analista explicou que o fenômeno consiste fundamentalmente no aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. É feita uma média de 30 anos dessas águas e, quando a temperatura fica acima de meio grau do padrão por pelo menos três meses consecutivos, já se caracteriza o El Niño.
Quando fica abaixo de meio grau, configura-se o La Niña. “É uma mudança aparentemente pequena, mas como envolve uma quantidade muito grande de água — o maior oceano que temos —, isso representa um fluxo de energia bastante significativo”, disse Côrtes.
O chamado “Super El Niño” tem sido considerado quando a temperatura sobe além de 2,5 graus acima da média. Segundo Côrtes, ainda é cedo para determinar a intensidade do fenômeno esperado para este ano, pois os modelos climáticos disponíveis apresentam resultados bastante divergentes.
“Há modelos que indicam uma possibilidade do chamado Super El Niño e há modelos que indicam uma situação mais comedida. Mesmo diante de uma situação comedida, devemos enfrentar problemas, porque o aquecimento das águas no oceano — não só no Pacífico, mas no Atlântico e no mundo todo — é um fato e pode gerar tempestades bastante significativas”, concluiu o analista.

