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Polpanorte projeta R$ 600 milhões e aposta em novos produtos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Polpanorte projeta R$ 600 milhões e aposta em novos produtos

O mercado de açaí segue em expansão no Brasil e no exterior, impulsionando novos investimentos no setor. Líder nacional na categoria de sorbê de açaí, a Polpanorte ampliou a unidade industrial no Pará e aposta em novos produtos para conquistar mercados internacionais, especialmente na Ásia.

Fundada em 1995 na cidade de Japurá, no interior do Paraná, a empresa começou produzindo polpas de frutas regionais de forma artesanal.

O açaí entrou no portfólio apenas em 2015, mas rapidamente se tornou o principal produto da companhia. Atualmente, responde por mais de 60% do faturamento do grupo.

Para 2026, a empresa projeta um faturamento de R$ 600 milhões em receita, mantendo crescimento de dois dígitos.

Além do tradicional sorbê de açaí, a companhia trabalha no desenvolvimento de novos produtos voltados ao mercado de alimentação saudável, incluindo versões enriquecidas com proteína e outras formulações funcionais.

Crescimento acelerado

A companhia investiu cerca de R$ 70 milhões em sua fábrica paraense desde a inauguração da unidade, em 2021. A planta, dedicada exclusivamente ao processamento do açaí, iniciou as operações com capacidade para processar aproximadamente 175 toneladas de frutos por dia. Após uma primeira expansão, passou para cerca de 270 toneladas diárias e agora está em nova fase de crescimento.

A expectativa é que, na próxima safra, a unidade alcance o processamento de 350 toneladas de frutos por dia.

“O desafio é que a safra do açaí é muito concentrada. Trabalhamos com cerca de 90 a 100 dias efetivos de colheita por ano. Por isso, precisamos aumentar a disponibilidade de matéria-prima ao longo dos meses”, afirma João Zeppone, CEO da Polpanorte.

Produção o ano inteiro

Atualmente a empresa adquire o açaí de cerca de 60 cooperativas de produtores do Pará, o que envolve um contingente de 5 mil fornecedores da fruta.

E para reduzir a dependência da safra concentrada no segundo semestre, a empresa desenvolveu recentemente um programa de incentivo ao cultivo irrigado de açaí em terra firme, em parceria com o Banco do Brasil e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

O projeto oferece assistência técnica e apoio financeiro para pequenos produtores interessados em implantar pomares comerciais. Em contrapartida, a empresa garante a compra futura da produção.

Segundo Zeppone, o modelo permite que produtores tenham acesso ao crédito para investimentos em irrigação e manejo, fatores considerados essenciais para aumentar a produtividade e distribuir a colheita ao longo do ano.

Com o cultivo irrigado, a expectativa é ampliar produção, que atualmente ocorre em apenas quatro meses.

“O objetivo é chegar ao médio prazo com oferta de frutos durante o ano todo. Isso permite utilizar melhor a capacidade industrial já instalada, sem necessidade de novos grandes investimentos”, explica o executivo.

Maior rendimento

Além da ampliação física da fábrica, a empresa também avalia novas tecnologias de processamento desenvolvidas na Europa.

A expectativa é elevar o rendimento industrial do fruto, atualmente em torno de 55%, além de aumentar a concentração da polpa e reduzir custos logísticos.

Hoje, a polpa produzida no Pará é transportada congelada por cerca de 3 mil quilômetros até a unidade da empresa no Paraná, onde é transformada em sorbê de açaí.

Entre os projetos em estudo estão tecnologias capazes de concentrar mais os sólidos da fruta e permitir o transporte do produto em temperatura ambiente.

Ásia no radar

A expansão internacional é uma das prioridades da companhia. Atualmente, os produtos da empresa chegam a mais de 20 países e a meta é que as exportações representem mais de 10% do volume comercializado em 2026.

Os Estados Unidos seguem como principal mercado global para o açaí, mas a empresa vê oportunidades crescentes na Ásia.

Recentemente, executivos participaram da SIAL China, em Xangai, e identificaram potencial para produtos de maior valor agregado, como o açaí liofilizado em pó.

“O mercado asiático tem características de consumo diferentes. O açaí em pó pode resolver desafios logísticos e se adaptar melhor aos hábitos locais”, afirma.

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