O empresário Leonardo Bortoletto e a advogada Soraia Mendes debateram, na terça-feira (2), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se as novas tarifas de Trump ajudam Lula ou Flávio nas eleições?
Após o anúncio dos Estados Unidos sobre um possível novo tarifaço aos produtos brasileiros, a campanha do presidente Lula (PT) iniciou um movimento para atrelar a ameaça a uma suposta articulação de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL. O tema gerou intenso debate sobre soberania nacional, relações internacionais e os possíveis desdobramentos eleitorais do episódio.
Segundo apuração da CNN, no PT a avaliação é de que Flávio Bolsonaro tenta colher frutos políticos pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A visão do partido é de que a visita do senador à Casa Branca fará com que outras decisões americanas, como o tarifaço, sejam associadas a ele na disputa eleitoral.
Tema não deve ser reduzido a pauta eleitoral
O empresário Leonardo Bortoletto defendeu que o assunto vai muito além da esfera política. “Trazer esse assunto e fazer deste assunto um palco eleitoral e eleitoreiro só prejudica o tema e o assunto”, afirmou. Para ele, a questão envolve soberania de ambos os países e deve ser tratada com pragmatismo técnico, e não ideológico.
Bortoletto ressaltou que o documento enviado pelos Estados Unidos ao Brasil, referente à Seção 301 da USTR, trata de setores específicos e merece análise cuidadosa. “Não há na matemática e nem no português como sairmos das contas e da interpretação de texto”, disse. Ele argumentou que a única forma de resolver uma questão tarifária é por meio de negociação técnica, com especialistas à mesa. “Quem ganha, Lula ou Bolsonaro, eu não sei. Quem perde somos todos nós”, concluiu.
Questão é política e envolve soberania nacional
A advogada Soraia Mendes adotou posição mais contundente, classificando o episódio como essencialmente político. Ela afirmou que todas as informações oriundas de bastidores indicam que as decisões recentes dos Estados Unidos — incluindo a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas e o novo tarifaço — têm ligação com a atuação de integrantes da família Bolsonaro.
“Estas pessoas que, num determinado momento, através de Eduardo Bolsonaro, conquistaram um tarifaço que veio em prejuízo à nossa economia e que agora, através do Flávio Bolsonaro, conseguem mais uma vez possibilidades de interferir na nossa economia de forma deletéria, são traidores da pátria”, declarou Soraia Mendes. Ela defendeu que tais atos deveriam ser objeto de responsabilização criminal.
Campanha de Lula terá sucesso ao atrelar tarifaço a Flávio?
Questionado sobre se a estratégia petista teria êxito, Bortoletto foi cético. Para ele, o tema é técnico e não comporta narrativas ideológicas. “Colocar um como diabo e outro como salvador é uma bobagem muito grande”, afirmou, acrescentando que o mercado americano é guiado pelo pragmatismo e que a solução virá quando técnicos competentes se sentarem à mesa de negociação.
Ele ainda fez um apelo direto: “Está na hora, presidente Lula, do senhor defender o agro. Está na hora do senhor colocar na mesa essas questões que são importantes, matemáticas e econômicas”.
Soraia Mendes, por sua vez, disse não ter certeza sobre o sucesso da campanha petista, mas acredita que o debate pode fortalecer o sentimento de defesa da soberania entre os brasileiros. “Soberania não é algo que deve estar em disputa, mesmo entre aqueles que defendem perspectivas ideológicas mais à direita”, afirmou.
Ela também analisou o cenário interno dos Estados Unidos, apontando uma disputa de protagonismo entre Marco Rubio e J.D. Vance pela sucessão de Donald Trump, o que, segundo ela, torna a questão ainda mais ampla do que a política eleitoral brasileira.

