Os neutrinos são abundantes no Universo e estão por toda parte, na mesma proporção que em são misteriosos. O pesquisador brasileiro Luis Prais, 34, trabalha em um ‘buraco’ com mais de mil e quinhetos metros de profundidade caçando as chamadas ‘partículas fantasmas’.
Neste momento, bilhões de neutrinos, vindos do Sol, estão atravessando o nosso corpo a cada segundo.
“Neutrinos são produzidos pelas mais variadas fontes, como por exemplo no Sol, em reatores nucleares, na atmosfera terrestre, e também em aceleradores de partículas como os que usamos em nossa pesquisa. Inclusive, neutrinos estão disponíveis no supermercado, pois até mesmo bananas emitem uma certa quantidade deles, mais ou menos 3 milhões por dia”, explica o diz Luiz Prais, pós-doutor em física e pesquisador.
Imagens do túnel de acesso para os detectores
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A pesquisa é realizada no Dune, um laboratório subterrâneo, nos Estados Unidos, que custou mais de R$ 20 bilhões. Ao todo, mais de 1.500 colaboradores de 38 países fazem parte de pesquisas distintas.
O experimento ocorre em grandes profundidades para garantir que a maior parte das outras partículas sejam barradas pelas rochas, da mesma maneira em que uma parede de chumbo protege da radiação. Os neutrinos conseguem ultrapassar as barreiras, por isso no laboratório abaixo do nível do mar, as partículas podem ser estudadas com mais exatidão.
Local subterrâneo está a mais de 1,5 km de profundidade
Para o cientista brasileiro, com o isolamento será possível identificar a interação entre o neutrino e sua antimatéria, o chamado antineutrino. “Se os estudos em andamento comprovarem uma certa distinção de comportamento entre essas duas partículas, isso nos leva a um caminho que pode ajudar a explicar o porque do Universo ser dominado por matéria, e não antimatéria, revelando um pouco mais do que pode ter acontecido momentos após o Big Bang“, conclui Prais.
Matéria escura
As ‘partículas fantasmas‘ podem estudar ainda mais coisas: “O experimento tem um fantástico leque de possibilidades a investigar, incluindo o estudo de supernovas (que é a explosão de uma estrela em seu estágio final de existência), a procura pela chamada matéria escura, ainda não detectada, e muito mais. Serão bons anos de aventura pela frente”, celebra o pesquisador brasileiro
Para trabalhar com esse tipo de pesquisa é necessário a graduação em Física. “Iniciei a jornada como aluno de graduação em Física, na Unesp, passando também um período em Portugal, na Universidade de Coimbra, através de uma bolsa de estudos. Depois, durante o meu mestrado na Universidade Federal de Goiás, me envolvi a fundo no experimento NOvA, que também estuda neutrinos e está em operação há mais de 10 anos”, diz Prais.
Dune
O local de difícil acesso, está sediado no Fermilab, laboratório responsável por pesquisas de energia vinculado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, no estado de Illinois. A sigla para Dune, em tradução livre é Experimento Subterrâneo Profundo de Neutrino.
Cada detector da partícula tem o tamanho de um avião comercial. Se pesarmos todos os detectores do local a massa total será de 70.000 toneladas, o equivalente a dez torres Eiffel. No loca, foram identificados os primeiros neutrinos produzidos pelo Sol, na década de 60.
“Como a estrutura na área já existia, aproveitamos para expandir e escavar as novas cavernas onde os novos detectores estão sendo erguidos,” diz o físico.

