A maioria dos brasileiros aprova a decisão dos Estados Unidos de classificarem as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, segundo pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta quarta-feira (3).
De acordo com o levantamento, 53,1% dos entrevistados aprovam a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Outros 44,7% desaprovam a medida, enquanto 2,2% não souberam responder.
Apesar da maioria favorável à decisão americana, os entrevistados se dividem sobre seus impactos.
Para 47,7%, a medida representa um risco à soberania nacional por abrir espaço para uma possível intervenção estrangeira no Brasil. Já 44,7% avaliam que a classificação é necessária para fortalecer o combate ao crime organizado.
Outros 7,3% consideram a iniciativa apenas simbólica, sem efeitos práticos relevantes, enquanto 0,4% não soube opinar.
Quando questionados diretamente se a medida fere a soberania brasileira, os números apontam para um cenário de empate técnico: 49,7% responderam que não, enquanto 49,4% disseram que sim. Apenas 0,9% não souberam responder.
A decisão dos Estados Unidos também passou a ocupar espaço no debate político nacional. O tema ganhou protagonismo após divergências entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Enquanto o governo critica a classificação e defende a soberania nacional, a oposição argumenta que a medida fortalece o combate ao crime organizado.
Nesse contexto, o instituto perguntou aos entrevistados se a posição de um candidato sobre o tema influenciaria seu voto.
Para 50,8%, seria mais fácil votar em um candidato favorável à classificação das facções como terroristas. Em contrapartida, 33,6% afirmaram preferir candidatos contrários à medida, enquanto 15,7% disseram que essa questão não é determinante para sua escolha eleitoral.
Metodologia
A pesquisa ouviu 1.273 pessoas entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto.

