O estado de Pernambuco foi palco de dois ataques de tubarões entre domingo (31) e segunda-feira (1º). Um dos casos teve como vítima uma jovem de 19 anos, mordida por um tubarão-tigre. Já o outro, contra uma criança de 11 anos, foi realizado por um tubarão-cabeça-chata.
A criança, mordida na tarde de domingo (31), na Praia de Piedade, em Jabotão dos Guararapes, teve lesões na coxa e na mão esquerda, resultando na amputação do membro inferior esquerdo. Por sua vez, a jovem atacada na segunda-feira (1º) na Praia de Boa Viagem, em Recife, deu entrada no hospital já com amputação ao nível da coxa.
O Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão) identificou as espécies envolvidas nos casos com base na análise das lesões e do local dos ataques.
Tubarão-tigre e cabeça-chata
O tubarão-tigre costuma ser uma espécie mais migratória e tem uma dieta mais generalista, ou seja, ingere quase qualquer coisa que encontra no mar. Já o tubarão-cabeça-chata, parte de um princípio territorialista e se alimenta de peixes e espécies menores.
Em relação à dentição, o cabeça-chata tem um conjunto de dentes que é conhecido como “garfo e faca”. A denominação é dada por conta da estrutura dos ossos, que são finos e pontiagudos na parte de baixo e, na parte de cima, cortantes e em formato triangular.
Por outro lado, o tubarão-tigre tem dentes mais largos e em formatos arredondados. Eles apresentam uma espécie de “serras” nas duas pontas, o que faz com que a dentição seja chamada de “faca-faca”.
Ambas as espécies usam a chamada “eletrorrecepção”, que é a capacidade de detectar campos eletromagnéticos gerados pelo movimento de outros animais. O tubarão-cabeça-chata é considerado um especialista nesse tipo de captação, principalmente em águas turvas.
Além disso, ele é apontado por pesquisadores como um dos animais mais agressivos que existem. Já o tubarão-tigre, é um predador de emboscada que utiliza curtas e rápidas explosões de velocidade para capturar as vítimas.
Por que os tubarões atacam humanos?
Uma pesquisa desenvolvida OCS (Ocean Conservation Society), organização sem fins lucrativos sediada na Califórnia, nos Estados Unidos, revelou as razões pelas quais o mamífero pode atacar humanos.
A ocorrência de eventos do tipo é explicada por uma série de fatores, no contexto regional. Em certas regiões, como no litoral de Pernambuco, existem áreas específicas classificadas como de alto risco para incidentes com animais marinhos.
De acordo com especialistas, tubarões utilizam uma combinação de sentidos biológicos, como a percepção de campos elétricos e vibrações, para localizar presas, e não somente o cheiro.
A maioria dos tubarões procura suas presas favoritas e os humanos não estão entre elas.
De acordo com Gisele Montano, pesquisadora associada no SeaWorld, o ato de nadar, bater pernas e chapinhar na água pode ser confundido com a presença de presas feridas ou mortas.
De acordo com os especialistas, os ataques de tubarão a humanos ocorrem por uma série de fatores sensoriais e comportamentais:
- Humanos não são presas naturais: Mesmo que um tubarão consiga sentir o cheiro de sangue humano, isso não significa necessariamente que ele o associe a alimento.
- Confusão de sentidos: Os tubarões possuem sistemas sensoriais extremamente aguçados para localizar comida. Além de sentir o movimento da água, eles conseguem detectar campos elétricos gerados por animais vivos.
- Curiosidade e investigação: Tubarões usam seus múltiplos sentidos para investigar sons e vibrações que ocorrem fora do alcance da audição humana.

