O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, insistiu nesta terça-feira (2) que houve “possível fraude” nas eleições presidenciais realizadas no domingo (31), nas quais o candidato de ultradireita Abelardo De La Espriella obteve a maioria dos votos, avançando para o segundo turno.
“Estou apresentando provas comprovadas de possível fraude, que posso entregar à autoridade competente. Já disse que não reconheço os dados da apuração preliminar do software dos irmãos Bautista porque tenho os dados”, afirmou Petro em uma publicação no X, na qual forneceu uma explicação detalhada das alegações.
Segundo a denúncia, houve modificações “no cadastro eleitoral e no número de seções eleitorais”, que supostamente levaram a alterações na contagem dos votos.
“Meu compromisso com meu povo e meu amor pelo meu país, pelo qual lutei a vida inteira, me obrigam a arriscar tudo ao compartilhar isso, e o farei agora”, acrescentou Petro em sua publicação.
Quando os resultados preliminares foram divulgados no domingo, tanto o presidente quanto seu candidato, Iván Cepeda, questionaram a contagem do Registro Nacional, que colocava De la Espriella com 43,74% dos votos e uma vantagem de mais de 673 mil votos sobre Cepeda, que obteve 40,90%.
No entanto, diversas autoridades responsáveis pela fiscalização eleitoral na Colômbia afirmaram que não houve irregularidades.
Alegação de Petro contraria observadores
O chefe da Missão Eleitoral da Organização dos Estados Americanos na Colômbia e ex-presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, afirmou em comunicado público na segunda-feira (1°) que o dia da eleição foi “cívico, pacífico e participativo”.
A missão foi composta por 96 observadores, que analisaram as diversas etapas do processo, disse Fernández, observando que eles confirmaram que a contagem dos votos foi realizada “de acordo com os procedimentos estabelecidos” e que o material eleitoral foi “protegido em todos os momentos”.
A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia apresentou um comunicado preliminar sobre o primeiro turno das eleições em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, concluindo que a Colômbia “prosseguirá para o segundo turno após um processo eleitoral transparente e confiável”.
Segundo Esteban González Pons, chefe da Missão, isso ocorreu apesar da presença de grupos armados em algumas partes do país, questionamentos sobre o sistema eleitoral e crescente polarização.
Em reunião com a imprensa em Bogotá após a conferência, na qual a CNN estava presente, González destacou que, na opinião da delegação internacional da União Europeia, “não houve fraude”.
A Colômbia “tem instituições democráticas muito fortes e bem estabelecidas, profundamente enraizadas no povo, e o povo colombiano não se deixa interferir”, afirmou a autoridade.
Ele acrescentou que o país sul-americano “encontrará mais uma vez seu principal aliado na democracia, porque, de todas as coisas que falharam com a Colômbia, a democracia é uma que nunca a decepcionou”.
Nas palavras de González, “todos os candidatos puderam verificar a regularidade do processamento dos resultados e não levantaram nenhuma objeção que os coloque em dúvida”.
A missão enviou 143 observadores de 24 países da União Europeia, além da Noruega, Suíça e Canadá, que cobriram 591 seções eleitorais. A delegação também observará o segundo turno e apresentará um relatório final dois meses após a conclusão do processo.

