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Israel e Líbano retomam negociações nesta terça (2) após semanas de tensão

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Israel e Líbano retomam negociações nesta terça (2) após semanas de tensão

Autoridades de Israel e do Líbano voltam a se reunir nesta terça-feira (2) e quarta-feira (3), em Washington, em uma nova rodada de negociações mediadas pelos EUA para tentar consolidar o cessar-fogo entre os dois países e reduzir as tensões na fronteira.

O encontro ocorre após semanas de escalada militar envolvendo Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, mesmo depois da extensão da trégua anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 16 de abril.

As conversas desta semana dão sequência às negociações realizadas em meados de maio, quando Israel e Líbano concordaram em prorrogar por mais 45 dias o cessar-fogo.

Na ocasião, o Departamento de Estado americano classificou os diálogos como “altamente produtivos” e anunciou que as partes voltariam a se reunir nos dias 2 e 3 de junho para tentar avançar em uma solução mais ampla.

Desde então, novos episódios de violência voltaram a ameaçar o acordo.

No último fim de semana, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou com o presidente libanês, Joseph Aoun, e com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, propondo um plano de desescalada gradual.

Segundo uma autoridade americana, a proposta prevê que o Hezbollah interrompa todos os ataques contra Israel, enquanto as forças israelenses se comprometeriam a não ampliar as operações militares em Beirute.

O plano, no entanto, encontrou resistência. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, afirmou que o Hezbollah estaria disposto a respeitar um cessar-fogo, mas argumentou que Israel deveria interromper os ataques primeiro.

As tensões aumentaram ainda mais nos últimos dias. Na segunda-feira (1°), Netanyahu ordenou o avanço das operações israelenses no sul do Líbano e afirmou que as forças do país continuariam atuando contra posições do Hezbollah.

Pouco antes, tropas israelenses haviam assumido o controle do histórico Castelo de Beaufort e de áreas consideradas estratégicas no sul libanês.

A situação levou Trump a intervir diretamente. O presidente americano afirmou que conversou tanto com Netanyahu quanto com representantes do Hezbollah e anunciou um recuo nos planos de ofensiva sobre Beirute.

“Tive uma conversa muito produtiva com o primeiro-ministro israelense, Bibi Netanyahu, e não haverá tropas a caminho de Beirute”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, a ligação entre Trump e Netanyahu teve momentos de tensão, com o presidente americano pressionando o premiê israelense a reduzir as operações militares para evitar prejuízos às negociações conduzidas por Washington.

Apesar disso, Netanyahu reiterou posteriormente que as Forças de Defesa de Israel continuarão operando no sul do Líbano.

Tensões no Líbano influenciam negociações entre EUA e Irã

O conflito entre Israel e Hezbollah também passou a afetar diretamente as negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra regional.

Autoridades iranianas afirmaram que qualquer cessar-fogo entre Washington e Teerã deve incluir o fim das hostilidades no Líbano.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que uma violação da trégua em território libanês seria considerada uma quebra do cessar-fogo em todas as frentes.

A posição iraniana ganhou força após a mídia estatal do país informar que as negociações de paz com os Estados Unidos foram suspensas temporariamente devido às ações israelenses no Líbano.

Analistas avaliam que a frente libanesa se tornou um dos principais obstáculos para um acordo mais amplo no Oriente Médio, já que o Irã considera a proteção do Hezbollah uma condição essencial para qualquer entendimento duradouro com Washington.

Enquanto as conversas acontecem, o cessar-fogo permanece sob pressão. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 1.100 pessoas morreram em ataques israelenses desde a entrada em vigor da trégua em abril, enquanto Israel continua afirmando que suas operações têm como alvo estruturas e combatentes do Hezbollah.

(Com informações de Charbel Mallo, Catherine Nicholls, Kevin Liptak, Zeena Saifi e Mohammed Tawfeeq, da CNN, Emily Rose e Ahmed Tolba, da Reuters)

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