Uma comissão do Parlamento Europeu votou nesta terça-feira (2) pela remoção das tarifas de importação da UE sobre muitos produtos americanos, uma medida para cumprir o acordo comercial firmado com Washington no ano passado e evitar o retorno do conflito tarifário transatlântico.
Nos termos do acordo firmado no resort de golfe Turnberry, de propriedade do presidente dos EUA, Donald Trump, na Escócia, em julho passado, a UE concordou em eliminar as taxas de importação sobre bens industriais dos EUA e conceder acesso preferencial a produtos agrícolas e frutos do mar dos EUA.
O bloco aceitou, ao mesmo tempo, tarifas americanas de 15% sobre a maioria dos produtos da UE.
Dez meses após o acordo-quadro, a UE ainda não cumpriu sua parte, o que levou Trump a afirmar que imporá tarifas “muito mais altas” caso a UE não implemente seus compromissos até 4 de julho.
A Comissão de Comércio do Parlamento Europeu votou a favor da legislação que implementa as reduções de tarifas, com 31 votos a favor, seis contra e três abstenções.
A comissão também apoiou a manutenção da isenção de tarifas para lagostas americanas, inicialmente acordada com Trump em 2020.
A legislação ainda precisa ser aprovada pela Assembleia Geral da UE em meados de junho, mas o apoio da comissão nesta terça-feira indica fortemente o rumo que a votação tomará.
O progresso da UE no acordo deverá, pelo menos, trazer alguma calma à maior relação comercial do mundo, com uma troca anual de US$ 2 trilhões em bens e serviços, apesar da determinação de Trump, através de tarifas, em reduzir o déficit comercial de bens com o bloco em mais de US$ 200 bilhões.
A legislação da UE foi adiada depois que Trump ameaçou impor tarifas aos aliados europeus por causa da Groenlândia e depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou suas tarifas globais.
Os legisladores da UE expressaram preocupação com o acordo e as ameaças de Trump.
Eles incluíram emendas para suspender as concessões caso o presidente dos EUA descumpra o acordo e para rescindir o acordo no final de 2029, a menos que haja nova legislação para renová-lo.
O governo Trump afirmou que irá analisar se as alterações estão em conformidade com o acordo.
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