Últimas

Caso Henry Borel: Monique relata rotina de ciúmes e controle de Jairinho

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Caso Henry Borel: Monique relata rotina de ciúmes e controle de Jairinho

O julgamento da morte de Henry Borel entrou, nesta terça-feira (2), na fase de interrogatório dos réus. Durante o depoimento de Monique, ela acusou o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior pela morte do filho e relatou episódios de ciúmes, controle e violência durante o relacionamento.

Ao longo do interrogatório, Monique afirmou que o comportamento de Jairinho mudou gradualmente e que, inicialmente, interpretava determinadas atitudes como demonstrações de cuidado.

Segundo ela, os dois se conheceram em agosto de 2020, por meio do Instagram, e começaram a se relacionar após o período eleitoral daquele ano.

Monique afirmou que o controle começou quando Jairinho pediu acesso à sua localização em tempo real. De acordo com o relato, ela acreditava que aquilo era uma demonstração de preocupação. Com o passar do tempo, segundo a ré, o então vereador passou a controlar amizades, roupas e publicações nas redes sociais.

“Não gostava que eu conversasse com homens nem que publicasse fotos de biquíni”, afirmou. Ainda segundo Monique, Jairinho dizia que, por ser um homem “politicamente exposto”, ela precisava mudar a forma de se vestir.

A ré declarou também que chegou a acreditar que o ex-vereador havia grampeado seu telefone, porque ele parecia saber detalhes sobre sua rotina, os lugares que frequentava e até as roupas que usava.

Dr. Jairinho, namorado de Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, após prestar depoimento sobre a morte do garoto de 4 anos
Dr. Jairinho, namorado de Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, após prestar depoimento sobre a morte do garoto de 4 anos • Tânia Rêgo/Agência Brasil

Monique afirmou ainda que Jairinho demonstrava muito ciúme de Leniel Borel, apesar de o contato entre eles acontecer apenas por questões relacionadas ao filho.

Durante o depoimento, a ré também relembrou o relacionamento com Leniel e disse que se considerava uma “mãe solo”, afirmando que era a principal responsável pelos cuidados com Henry desde o nascimento da criança.

Monique e Jairinho respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. “Uma mãe não mata seu filho”, disse Monique ao defender sua inocência.

Relato sobre agressões e alerta da babá

Durante o interrogatório, Monique também relembrou um episódio ocorrido em janeiro de 2021, quando recebeu mensagens da babá relatando que Henry estava mancando após permanecer sozinho com Jairinho.

Segundo ela, naquele momento, não interpretou a situação como uma possível agressão. A ré afirmou que Jairinho teria dito que o menino caiu após uma brincadeira e que acreditou na versão apresentada.

Monique contou que chegou a telefonar para o filho após receber as mensagens e ouviu dele a pergunta: “Mamãe, eu te atrapalho?“. Ela afirmou ter ficado abalada com a situação e procurado Jairinho para questioná-lo sobre o ocorrido.

A acusada também relatou que recebeu um vídeo gravado pela babá mostrando Henry caminhando pelo corredor do apartamento. Apesar dos alertas, disse que não percebeu inicialmente que a criança mancava. “Em nenhum momento eu percebi meu filho mancando”, declarou durante o depoimento.

Henry Borel: irmão diz que defesa de Jairinho treinou Monique para mentir

“Nunca imaginei que pudesse ser o Jairo”

Em outro momento do interrogatório, Monique afirmou que jamais suspeitou que Jairinho pudesse agredir o menino.

A ré declarou que o então companheiro era visto por ela como uma pessoa confiável e que não tinha conhecimento de relatos anteriores de violência que pudessem levantar suspeitas sobre sua conduta.

  • 1 de 13

    Monique Medeiros chora ao receber liberdade provisória em julgamento da morte de filho • CNN Brasil

  • 2 de 13

    Jairinho, padrasto de Henry Borel, em julgamento sobre morte de criança • CNN Brasil

  • 3 de 13

    Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, em julgamento da morte do próprio filho • CNN Brasil

  • 4 de 13

    Jairinho, padrasto de Henry Borel, em julgamento sobre morte de criança • CNN Brasil

  • 5 de 13

    Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, em julgamento da morte do próprio filho • CNN Brasil

  • 6 de 13

    Na chegada ao Tribunal do Júri, o pai de Henry Borel, Leniel Borel, expressou um misto de gratidão, ansiedade e um forte apelo por justiça. Ele destacou que o julgamento não se trata apenas do nome do seu filho, mas de "o quanto o Brasil está disposto a proteger suas crianças"Camille Barbosa - CNN Brasil

  • 7 de 13

    Juíza em julgamento de Monique Medeiros e Jairinho sobre morte de Henry Borel • CNN Brasil

  • 8 de 13

    Conselho de Sentença foi definido no início do julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho no Rio de Janeiro • CNN

  • 9 de 13

    Cristiano Medina, atua como advogado e assistente de acusação, representando os interesses de Leniel Borel (pai da vítima) • CNN Brasil

  • 10 de 13

    A equipe jurídica busca a absolvição da ré, sustentando a tese de que Monique vivia um relacionamento abusivo com Jairinho e que ele tinha um perfil de vitimar pessoas como elaCNN Brasil

  • 11 de 13

    Os advogados do ex-vereador negam as agressões e defendem a tese de que a morte foi acidental • CNN Brasil

  • 12 de 13

    Ex-vereador do Rio de Janeiro e ex-médico, Jairo Souza Santos Júnior, era o padrasto da criança e é apontado pelas investigações como o autor das agressões físicas que causaram a morte de Henry. • Reprodução

  • 13 de 13

    Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, esponde pelo crime baseada na omissão relevante, pois, segundo a acusação, tinha conhecimento das torturas sofridas pelo filho e consentiu com a situação. • Jaqueline Frizon/CNN

A gente nunca achava que poderia ser o Jairo. Ele estava acima de qualquer suspeita“, afirmou ela ao Conselho de Sentença.

Continuidade do julgamento

Monique Medeiros responde por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de tortura e coação no curso do processo.

Após o encerramento de seu interrogatório, o tribunal seguirá com a oitiva de Jairo Souza Santos Júnior, acusado de homicídio qualificado por meio cruel e torturas.

Concluídos os interrogatórios, o julgamento avançará para os debates entre acusação e defesa. Na sequência, os sete jurados que compõem o Conselho de Sentença decidirão pela condenação ou absolvição dos réus.

Caso Henry Borel: relembre o assassinato do menino que chocou o país

Caso Henry Borel: Monique relata rotina de ciúmes e controle de Jairinho — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado